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domingo, 27 de setembro de 2009

MACHU PICHU e VALE SAGRADO

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MACHU PICHU e VALE SAGRADO

PERÚ - Junho 2005
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A Maria foi a nossa guia e Mário o condutor.
Saímos cedo do Picoaga Hotel, em Cusco, com Machu-Pichu no pensamento, através do Vale Sagrado dos Incas.



Cusco, visto da janela do Hotel Picoaga

Parámos para observar a falha geológica de Qorao e o Parque de Tayakan.


Falha geológica de Qorao.

Este parque é uma reserva de lamas, vicunhas, alpacas e uma espécie que é cruzamento de qualquer destas raças com outra diferente, o guanaco. A Maria diz que se usa, popularmente, a expressão “Aquele é um guanaco!” para designar a pessoa sem valor que nem sabe quem é o pai.

O Lama


O Guanaco
O rio Vilcanota ou Urubamba corre, pacífico, no vale.

Ao fundo, o Vale Sagrado

O Pueblo Antigo de Pisac fica na província de Calca. É uma cidadela inca situada no desfiladeiro do vale do Urubamba e que controlava a estrada que ligava a capital do Império Inca, Cusco, a Paucartambo, na fronteira da selva amazónica.


Pueblo Antigo de Pisac

Terraços de cultivo e condutas de água foram escavados em rocha sólida.


Terraços de cultivo no Pueblo Antigo de Pisac
Para que se tornassem terra de cultivo, nos sucalcos escavados era depositada uma camada de areia do rio, uma de cascalho e, finalmente, a terra fértil que vinha da selva, adubada por guano (excrementos das aves) e dejectos de outros animais.
Visitámos as ruínas das casas com a típica arquitectura inca de sobreposição das pedras e o Templo do Sol, semelhante ao da cidade perdida de Machu-Pichu.

Pueblo Antigo de Pisac - as casas

Pueblo Antigo de Pisac - as ruínas


Pueblo Antigo de Pisac - as casas e as ruínas



Pueblo Antigo de Pisac - as casas

Era também na rocha sólida da montanha que os incas escavavam os locais para depositar os seus mortos e, ao longe, podem vislumbrar-se centenas de orifícios.



Pueblo Antigo de Pisac - Cemitério

Nestes locais turísticos, aparecem sempre andinos vestidos com cores vivas,vendendo artesanato


Mãe e filha

Num desses locais, quando o Alfredo fotografava uma criança, uma outra miúda perguntava: "Porque não eu? E eu?"

Gostam que os animais também fiquem nas fotos!


E fez questão de ficar na foto com a ovelha que o acompanhava e que insistia em voltar as costas à câmara, apesar do esforço da garota para que ela fixasse a objectiva!...


A ovelha não estava muito pelos ajustes!

Descemos para a pitoresca aldeia andina de Pisac, percorrendo o colorido mercado, fazendo algumas compras, entre elas o “charango”, instrumento musical de cordas muito popular por aqui.


O Mercado


O almoço foi um buffet muito bem fornecido nos jardins do “Tunupa”, que significa “Grande Senhor”, um palacete colonial, com o rio Urubamba aos pés, na base da montanha, num local paradisíaco.

Nos jardins do Tunupa

O rio que atravessa o jardim.

Depois do almoço, seguimos para a Fortaleza e Cidadela de Ollantaytambo. Situada a 2.800 metros de altitude, a oeste do Vale Sagrado, foi um centro militar, religioso e cultural, durante durante o Império Inca. Estava estrategicamente localizado para defender o Vale do Urubamba


Rua de Ollantaytambo

Venda de artesanato nas ruas de Ollantaytambo



Fortaleza e Cidadela de Ollantaytambo



Dentro da Fortaleza

As águas eram trazidas para a cidadela das nascentes das montanhas por canais subterrâneos (para não serem envenenadas pelo inimigo e para diminuir a evaporação). Assim, ainda hoje, as águas correm frescas.


Fontes

Ollantaytambo foi o único local inca que conseguiu resistir às primeiras investidas dos invasores espanhóis, porque os incas libertaram as águas, inundando a planície e dificultando as manobras dos cavalos.


O passado e o presente!
Dormimos no “Sol y Luna”, um resort e spa entre montanhas, num silêncio magnífico e reconfortante. Não nos seduziu a caminhada nos belos cavalos, ao entardecer, tamanho era o cansaço.


Resort Sol y Luna

Limitámo-nos a dar de comer aos cavalos!
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O jantar foi num ambiente romântico, à luz das velas, uma entrada de alcachofras recheadas com legumes e queijo e um spagetti com gambas.
No dia seguinte, de manhã, um táxi levou-nos à estação de comboios de Ollantaytambo para apanhar o combóio que vinha de Cusco e trazia, de novo, a Maria, que fora dormir a casa.

Estação de Ollantaytambo



Rio Urubamba

Descemos até Aguas Calientes, a 2000 metros de altitude, na base da montanha.
O trajecto é lindíssimo, sempre a acompanhar o rio Urubamba. A paisagem é, primeiro, um pouco árida e, aos poucos, a vegetação vai-se adensando à medida que nos aproximamos da selva


A vegetação é cada vez mais densa



Estação de Aguas Calientes
De Aguas Calientes até ao Santuário de Machu Pichu, foi cerca de meia hora em autocarro, por uma estrada estreitíssima, com despenhadeiros de mais de duzentos metros.
Assustador, mas belo.


A beleza e imponência da paisagem
MACHU PICHU fica a 2.400 de altitude. Ainda da estrada, já se vislumbra e começa a emoção. É um dos nossos Lugares Míticos.



Os primeiros minutos no Machu Pichu


Na companhia da Maria a nossa guia


Machu Pichu


A Maria guiou-nos na visita. É impensável vir a este local sem um bom guia.
A Cultura Inca teve uma curta duração. Começou em 1400 e foi destruída em 1532 pela ambição e pelo terrorismo dos conquistadores espanhóis.
Perto de Machu Pichu, existe um povoado, Guayna Pichu (“guayna” significa “novo”, em quechua) e foi a partir daí que, em 1911, Hiram Bingham, norte-americano, numa expedição da Universidade de Yale, entrou em Machu Pichu.


Vista geral


As pessoas desse povoado sabiam, por lendas, que existia um lugar sagrado escondido e enterrado na vegetação, mas tinham medo de lá ir devido a superstições muito antigas. Foi um menino de nove anos que ensinou o caminho a Bingham, através de uma estreita escada escavada na montanha.


Machu Pichu - Área das residências dos artesãos
Em quechua (e a Maria é quechua), Machu Pichu significa “Velha Montanha”. A cidadela começou a ser construída em 1438, sob a orientação do arquitecto Pachaquteq. Era como uma universidade para os filhos da nobreza, um lugar muito sagrado que deveria ficar escondido. Os formandos eram levados de lá por caminhos que não pudessem recordar. O local foi escolhido pela sua altitude (quanto mais alto, mais energético) e por estar rodeado por altas montanhas, de onde vinha a energia.
Eram auto-suficientes, com os seus terraços de cultivo e as águas canalizadas de um dos picos que rodeiam o vale.
No lugar mais alto, junto do Templo do sol, viviam os nobres. Estes eram quase todos sacerdotes que ministravam o ensino. Mais abaixo, as casas dos artesãos.
Além dos locais de culto (Templo do Sol, Templo da Lua, Templo das Três Janelas), havia um observatório para estudo das estrelas, um relógio solar… e a Pedra Intihuatana, com significado místico: diz-se que tocando com a testa na pedra, se abre a visão para o mundo espiritual.



A Pedra Intihuatana

As pedras das construções são de granito branco, composto por mica, feldspato e quartzo, material muito isolante e que propicia o eco. As conversas dentro das casas eram bem guardadas mas, de janela para janela o som propagava-se muito bem, podendo comunicar mesmo com os vizinhos mais distantes.



Terrenos de cultivo

No Templo das 3 Janelas existe uma Cruz Quadrada dos Incas, com metade ainda enterrada, com o buraco no centro, símbolo de Cusco. Os três degraus que se identificam são, a Serpente
(o mais baixo, representando o Mundo Inferior), o Puma (o do meio, correspondente à Terra) e o Condor (o superior, representando o Ar).
No Templo do Condor, cujas asas estão esculpidas na rocha e a cabeça no chão, realizava-se Yahuar, a Festa do Condor.

Templo da Lua






Todos os recantos eram vistos ao pormenor

E devidamente explicados pela Maria








Na Praça Central, procedia-se às manifestações religiosas dirigidas pelo Sumo-sacerdote no Templo do Sol.
80% dos esqueletos encontrados eram de mulheres, o que levou ao aparecimento da teoria de que era a Cidade das Mulheres Escolhidas.
Alguns apontam a cidadela como o local onde Manco CapacII, o último imperador inca, se refugiou no tempo conturbado da invasão.


Praça Central


Templo do Condor



Templo das 3 Janelas



Templo das 3 Janelas e a Cruz Quadrada dos Incas



Templo do Sol


Templo do Sol




Os Jardins


O adeus a MACHU PICHU !
.

Muito há, ainda, para descobrir sobre Machu Pichu, mas não há dúvidas de que, aqui, vivia uma civilização avançada com conhecimentos de astronomia, agronomia, engenharia e hidráulica e planeamento urbanístico.
......

11 comentários:

Anónimo disse...

Alfredo e Daisy

Parabéns, o local é fantástico, cheio de história e paisagens deslumbrantes...
As fotos são magníficas, contínuem a abrir o album...ficamos à espera.

Luís e Fátinha

Rui Felício disse...

Se em Portugal alguém do Governo tivesse viajado por estas paragens há 40 anos atrás, é quase certo que nos bilhetes de identidade a estúpida expressão então usada de "filho de pai incógnito" para aqueles que desconheciam a identidade paterna,seria substituida pela de "guanaco".

Voltarei com mais calma e tempo, para visualizar uma por uma as fotos desta viagem tiradas pelo Alfredo e beber cada uma das palavras certeiras escritas pela Daisy.

Rui Felicio

celeste maria disse...

É um encantamento ver estas reportagens!
Transporta-nos ao sonho,à magia dum mundo desconhecido.
Fiquei mais rica!

Dois beijinhos,um para cada...

Maria Julia disse...

Sim Alf, e após a nossa normal conversa diária há pouco, que plos programas eleitorais nao permitiram(?), contactos de domingo, vim de imediato correndo ao TRAVEL WITH US, até porque me ralhaste que rebéu béu o facebook, e com toda a razao!!! O Facebook é a minha actual alienação, com muitíssimas mais razoes, como o foi por muito tempo o cv, salvarguandando os tempos áureos, em que lá estava o Rui Felício e tu, como protagonistas, apelando ao desejo de todos nós! As pessoas de que gosto e elas sabem, e lá continuam a ir, nada teem a ver com esta conversa, no sentido de alguma susceptibilidade! Nessa altura o cv, tinha nível cultural sim, e agora quem mudou tudo antes do Facebook foram vós, por motivos que me sao alheios. É de facto um espaço excepcional, plas varíadissimas opcoes de escolha em todos os sentidos. Quem nao gosta de uns temas vai para outros e quem nao gosta dos outros, vai para os "uns",lol(Lot of Laught)!!!
Desde que estou no Face que me ando a especializar no modern english, além de me traquejar no Allgarve English!!! Estou como o Rui Felício, após ver muita coisa linda, tal como a bicharada grossa que amo,(on'y soit qui mal y pense),também olhei para muita aridez e ruelas estreitas que se me lá encontrásse nao resistiria à morte, por trauma! Devo ter andado por esses caminhos na outra vida, para ser assim...Por tal, irei deixar para outro dia, a minha total absorçao a mais esta vossa partilhada viagem, tao bem escrita e fotografada, como todas as outras.
Beijoes.

Júju.

cota13 disse...

Mais uma viagem bem retradada.
Prosa e FOTOS.
OBRIGADO.
Um Abraço.
Tonito.

Alfredo Moreirinhas disse...

(Mensagem enviada para o FaceBook)

Bem hajam, Daisy e Alfredo! É sempre uma delícia este deslizar pelas vossas aventuras partilhadas...
Nazaré

Fernando Rafael disse...

Sem dúvida que é uma reportagem fantástica.
Apreciei imenso!

Rui Felício disse...

Como prometido, tenho voltado quase todos os dias para apreciar em pormenor as fotografias desta viagem e ler os ensinamentos que a escrita da Daisy nos transmite.
Perante tantas e tão fabulosas sensações, tive dificuldade em seleccionar uma imagem que de entre todas mais me agradou.
Claro que a escolha é subjectiva...

-----------Ollantaytambo-----------

Admirei o pormenor do "abraçar" do mundo actual pelas edificações antigas.
A um simples turista, que não o Alfredo, teria certamente passado despercebida esta conjugação de mundos, entrelaçados pela singela perspectiva de uma porta aberta na muralha.
São estas coisas simples que só um artista consegue descortinar.

Quedei-me a imaginar o engenho dos incas para se defenderem dos invasores espanhois.
Inundando a planicie circundante com as águas retidas para consumo próprio.
Os povos encontram as formas mais inesperadas para se defenderem da prepotência.
Quem se lembraria de atirar comida aos sitiantes de um castelo para lhes fazer crer a abundância alimentar dos sitiados?
Como aconteceu, também com os espanhois numa das muitas tentativas de dominio do nosso recanto lusitano.
Dominio ( felizmente curto... )que conseguiram uma única vez e apenas por razões e interesses palacianos.
Nunca com o apoio popular!

Maria Julia disse...

E contrastando com a opiniao do Rui, lá venho eu também, conforme o prometido.
Indo ao particular, pois no geral já falei, direi que os animais incluíndo os Cavalos,(só um foi fotografado, mas outros haveriam),AMEI e gostei muito dos trajes daquele povo.
No que respeita à paisagem adorei os Jardins de Tunupa(Grande Senhor), o Palacete Colonial, com o Rio Urabamba aos pés(lindooooo) e o rio que atravessa o Jardim.
Do Resort Sol y Luna, parece que me sentiria lá muito bem, tal como vós, ainda mais com o jantar lá servido que pla narrativa da Daisy, me caíria que nem luva!
Tudo o resto, questao de gostos... "keideu" fazer pla minha repulsa em relaçao à aridez de solo e construçoes??? É que nem os Templos - pedra é pedra!!! Porque é tudo direito(comparem-se os nossos Jerónimos que também sao pedra!!!
Terminando a minha actuaçao dá-me vontade de dizer a Machu Pichu, "VAI TU"!!!
Gros bisous e PARABÉNS Alf e Daisy!
Obrigada também por me darem a conhecer, outros povos e outras civilizaçoes onde nunca iria, a nao ser algemada...

Júju.

maria disse...

Chegada de Edimburgo,cidade que muito gostei e aproveitei as vossas dicas,aqui estou para manifestar o meu entusiamo por estes locais fantásticos.

Lendas,emoções,ruínas cheias de significado arquitectónico,social,
religioso...

E sempre um momento romantico para
o nosso casal de pombinhos - Alfredo e Daisy - o jantar à luz
das velas...Que bom!

Ana Maria disse...

Amigos:
Obrigada pela partilha, desta vossa viagem.
Sem dúvida que estas fotos estão espectaculares!! Claro que os fotógrafos também são do melhor que há…
Abraços dos vossos amigos.

Ana Maria e Henrique.