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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

JAPÃO - OSAKA


30 Abril e 01 Maio



Apanhámos o Shinkansen (Bala) às 9.48h em Hiroshima e chegámos a Osaka às 11.21h.
OSAKA é a terceira maior cidade do Japão,
depois de Tokyo e Yokohama.
O hotel, também perto da estação ferroviária, é o "Laforêt Shin- Osaka". Nem no lobby tem WiFi! E os quartos , por mais 33 euros, estariam prontos!... Confirmámos a nossa má impressão sobre a cidade. Não lhes demos os 66 euros: deixámos as malas e partimos para a descoberta. Comprámos, no posto de turismo, o "Osaka Unlimited pass 2 days" por 2.700 ienes /pessoa.
Sempre de Metro, chegámos ao
Templo Shitenno-ji 
fundado em 593 por ordem do Príncipe Shotoku. É considerado o local de nascimento do Budismo japonês.
Os edifícios que compõem o templo
foram várias vezes destruídos pelo fogo. Agora em betão, são réplicas exactamente iguais aos originais, incluindo o Pagode de 5 andares
e o Golden Hall. No lago, ilhotas com muitas pequenas tartarugas
(Gokuraku-jodo, que representa o Paraíso Budista) e, vizinho do templo uma grande feira de livros, estampas e velharias.


Almoçámos num restaurante pequenino-pequenino, o "Low Fat Kitchen Madre".
Hesitámos, à porta, porque a ementa, no cartaz de rua, estava em japonês, mas o rapaz simpático veio com a lista com fotografias... e entrámos.
Três mesas apenas, de 4 lugares cada.
Boa qualidade/preço.
Quando saímos, já chovia. De novo de Metro, fomos ao Museu de História de Osaka,
um moderno edifício onde, em 10 pisos, nos é contada a história da cidade desde a Antiguidade.
É muito interessante, com pilares vermelhos, réplicas de cortesãs
e samurais em tamanho natural, BD, quadros de desenhos em vários planos
e cenas humorísticas em estampas coloridas.

Pelas janelas, vistas panorâmicas para o Castelo e para as ruínas do Palácio Naniwa, em cujos terrenos o museu foi construído.
A chuva não parava e a visita ao Castelo ficou adiada para o dia seguinte. Assim como  a subida ao Edifício Umeda Sky. 
Mas ainda fomos até ao Sakishima da Prefeitura de Osaka, também de Metro, para subir à Cosmo Tower, até ao 52º piso (252m) para ter uma visão de 360º sobre a cidade. Identificámos a Tempozan Giant Wheel,
o Museu Marítimo de Osaka, Umeda Area...

Quando chegámos ao hotel, as malas estavam já nos quartos. Não nos apeteceu enfrentar a chuva, o frio e o movimento da grande cidade: jantámos no "La Gare", dentro do hotel, comida italiana, que é o que nos "salva" quando não nos apetece experimentar o que desconhecemos!..

A cidade não é especialmente bonita, não é tão limpa como o resto do Japão e tem muitas pessoas na rua, como pudemos comprovar no dia seguinte, ao passar pelas pedonais subterrâneas, nos muitos corredores do Metro. As indicações são escassas e praticamente inexistentes em inglês. Para chegar ao Observatório dos Jardins Suspensos, perguntámos (mostrando a fotografia...) várias vezes e fizemos grande caminhada,enfrentando uma ventania desgraçada!...
É um edifício futurista
com um elevador exterior , de vidro, que nos leva ao 39º piso. O observatório está a 173m de altura e une as duas torres gémeas do edifício Umeda Sky do arquitecto Hara Hiroshi.
O nome de "jardins suspensos" vem desde a Antiguidade em que os homens construíam mais e mais alto, desde as Pirâmides, a Torre de Babel, os Jardins suspensos da Babilónia, até às altas torres da modernidade, na esperança de chegar ao Céu (culminando nos foguetões!), à procura de um jardim no ar. 
A visão da cidade é muito mais bonita

do que a que se usufrui da Cosmo Tower. Até parece uma cidade bonita, sem a confusão de pessoas, carros e bicicletas por todo o lado!...
A visita seguinte foi ao Castelo,
apanhando duas linhas de Metro até Tanimachi. No chão, estão marcadas as entradas para as carruagens exclusivas para mulheres!...

A história  do castelo é bastante atribulada: em 1496, um importante monge do ramo Joudoshingu, construiu uma residência monástica no local. Tornou-se, mais tarde, um grande templo, muito venerado, o Osaka Hongangi que teve grande importância até 1580, quando Nobunaga Oda o incendiou. Depois da morte deste, Hideyoshi Hashiba tomou o controle político e começou a construção do castelo, no mesmo local. Depois da sua morte, passou para os Tokugawas e foi destruído na Guerra de Verão em Osaka, em 1615. Por ordem do 2º Shogun Hidetada, a sua reconstrução começou em 1620 e durou 10 anos. Em 1665, a torre principal foi destruída por um raio. Em 1931, reconstruiu-se a torre principal
que funciona, agora, como museu e onde toda esta história nos foi contada em projecções holográficas em vários quadros. 
No 8º andar, mais uma vista sobre a cidade.

Fora, continuam a aparecer noivos e fotógrafos!

Entrámos e saímos pela Porta Otemon.
Rodeado por dois fossos com água, o castelo proporciona belas fotos com reflexos!
De novo de Metro, chegámos à zons sul da cidade, a Namba,
o centro da antiga cidade mercantil, com as arcadas pejadas de gente e muitas tascas e pequenos restaurantes.

Faltou-nos, no plano da visita a Osaka, o passeio de barco no rio Dojima e isso foi devido à deficiente organização da cidade para o turista estrangeiro que nos fez perder muito tempo para nos orientar!

*****

sábado, 8 de setembro de 2012

JAPÃO - NAGASAKI e HIROSHIMA


26 a 30 Abril 2012



O Bala saiu de Kyoto às 17h48mn, para Hiroshima.
Em Hiroshima ficámos hospedados no "Sheraton" encostado à estação ferroviária.

No dia seguinte voltámos a utilizar os passes de comboio da JR de Hiroshima a Shin-Tosu (1h e 24mn) e daqui a Nagasaki (1h 30mn). Os comboios são muito confortáveis. Fizemos quase 1000km sem custar nada.
A paisagem é bonita, com arrozais e casas unifamiliares à direita
e o mar à esquerda.
As hospedeiras distribuem lencinhos molhados e rebuçados. Abrem a porta da carruagem, empurrando o carrinho das bebidas, fazem uma vénia cerimoniosa e avançam; quando se retiram, fazem novamente uma vénia e deixam a porta fechar-se, com uma delicadeza extraordinária!

NAGASAKI foi o 2º alvo da bomba atómica.
Nós, Portugueses, fazemos parte da sua história, de 1571 a 1641, tendo sido os nossos missionários a trazer para aqui o Cristianismo. Quando o Imperador proibiu a religião católica, fomos expulsos e os Holandeses ficaram, mas confinados à minúscula ilha de Dejima. Só em 1854 foram abertos os portos ao estrangeiro e Nagasaki voltou a prosperar como centro de cultura e comércio ocidentais.
Depois da destruição pela bomba atómica, foi impressionante a sua recuperação.
Em Nagasaki deslocámo-nos sempre de eléctrico entre os diversos pontos que visitámos.
É a melhor maneira de circular na cidade.
E a primeira visita foi ao Parque da Paz,
para que a memória permaneça.

A impressionante estátua da Paz
tem 9 metros de altura e foi completada dez anos após o bombardeamento de 1945. Com o braço direito aponta a ameaça das bombas nucleares e a posição do esquerdo simboliza a busca da paz. Perto, o epicentro da explosão
que matou 75.000 civis, é um pilar de pedra negra com um efeito de circulos concêntricos.
O Museu da Paz,
com a sua fachada vermelha, a alguns metros, mereceu-nos uma visita rápida
porque o tempo é curto e temos programado o de Hiroshima. Muitos origami de grou (símbolo japonês da Felicidade). O Museu das Vítimas tem uma cobertura de água.


Voltámos ao eléctrico para ir ver a Ponte dos óculos (Megane-bashi),
um legado chinês à cidade, construída em 1634 por um monge zen chinês, Mozi, e que é a ponte de pedra mais antiga do Japão. Reflectida no rio Nakashima, assemelha-se aos óculos redondinhos dos chineses... quando a luz está de feição. No muro de pedra, na margem do rio, 4 corações
estão "perdidos" entre os blocos e encontrá-los... dá sorte!
Descobrimos dois templos chineses na nossa caminhada pelas ruas desertas.
O Kofuku-ji, de 1623, foi erigido por um monge chinês e é o mais velho templo do budismo obaku.
O Sofuku-ji é de 1629 e é um raro exemplo da arquitectura Ming.
Subimos ao ponto mais alto da cidade, de elevador, depois de mais uma viagem de eléctrico. É aqui que se situa o Glover Garden,
o jardim do mercador Thomas Glover, do séc.XIX e de onde se podem fazer as melhores panorâmicas da cidade.

 Em Dejima fica o Hollander Slope 
que foi, outrora, o local onde ficaram confinados os Holandeses depois de expulsos os Portugueses. Durante 200 anos, todos os ocidentais eram chamados "holandeses". O Huis ten Bosh 
é um parque temático construído em 1992 reproduzindo uma aldeia holandesa.
O Santuário dos 26 Mártires fica do outro lado da cidade, no Monte Nishizaka.

O Cristianismo foi  oficialmente banido em Nagasaki em 1587 pelo Shogun Toyotomi Hideyoshi que temia pela interferência das potências estrangeiras através dos convertidos. Para publicitar a sua posição, 26 cristãos (6 missionários e 20 japoneses) foram crucificados no monte Nishizaka. Lá está a igreja com a fachada
a lembrar os mártires que foram canonizados em 1862.
No átrio exterior, uma lápide escrita em japonês e português: P. Luís Frois S.J. Lisboa 1532 - Nagasaki 1597. Escreveu a história do encontro entre Portugal e o Japão.
Na estação ferroviária comprámos o "Castella", "doce português",
parecido com o pão-de-ló de Arouca mas de massa mais fina, também vendido à fatia, muito caro e vendido em lojas gourmet, muito apreciado. Quando dizemos que somos de Portugal, se não vierem à boca os nomes dos jogadores de futebol... é o "Ah, Castella!...", mais frequente nas vozes femininas.

28 e 29 de Abril, foram os dias que dedicámos à visita de Hiroshima.
HIROSHIMA desenvolveu-se como cidade à volta de um castelo
no delta do rio Ohtagawa, fundada por Mori Teruma, neto de Mori Motonari.
Bem tristemente, Hiroshima ficou célebre pela deflagração da 1ª bomba atómica.
De manhã, atravessámos o edifício da estação ferroviária para apanhar um eléctrico que nos levou ao ferry
para visitar a Ilha Miyajima,
no mar interior. O local funciona como algo parado no tempo, ao sabor da Natureza: não há maternidades, hospitais nem cemitérios. É como um local de passagem para os humanos. É proibido derrubar árvores e a ilha é coberta por uma floresta virgem,
com inúmeros pássaros, macacos e veados. Estes vagueiam por entre as pessoas,
procurando os papéis que levamos na mão (que comem) ou tentando partilhar o pic-nic.
A principal atracção é o grande torii vermelho 
que é a entrada marítima para o Santuário Itsukushima.
Deveria sobressair da água mas, infelizmente, está em obras de restauro perdendo, assim, a magia. Ficámos decepcionados.
Demos um pequeno passeio a pé, fotografámos o Pagode de cinco andares (Goju-no-to),
de 1407, na escarpa, sobranceiro ao Senjokaku (Pavilhão dos 1000 tapetes tatami) de 1587.
O Santuário Itsukushima 
fica ao nível do mar, foi fundado em 593 e está assente sobre estacas. Por trás, o Monte Misen com o vale do ácer onde está um refúgio de macacos.
As ruas estreitinhas têm um encanto especial, vazias de turistas...


Regressámos à cidade.
Eram 15h e, depois de várias tentativas infrutíferas para almoçar, conseguimos fazê-lo junto ao rio Motoyasu,
numa esplanada, no "Caffé Ponte", restaurante italiano com empregados a falar bem inglês. E boa comida.
Iniciámos, depois, a nossa peregrinação e homenagem às cerca de 140.000 vítimas da bomba atómica. Na confluência dos rios Ota e Motoyasu, a Cúpula da Bomba Atómica,

uma lembrança constante da força destrutiva que devastou a cidade. Era a Casa de Fomento da Indústria, construída em betão e que fica perto do hipocentro.
Os ocupantes morreram intantâneamente.
As vigas retorcidas, os buracos abertos e os montes de cascalho foram preservados pela UNESCO como Património da Humanidade.
A bomba foi lançada por um bombardeiro e explodiu às 8.15h do dia 6 de Agosto de 1945, 580 metros acima do centro da cidade. Dezenas de milhares de pessoas morreram intantâneamente e muitas mais nos anos seguintes, devido ao efeito das radiações, perfazendo perto de 200.000.
O Parque Memorial da Paz 
foi construído em 1960, na área próxima do hipocentro da explosão.
Depois da Cúpula e de atravessar a ponte Aioi, a grande torre do relógio.
Depois, o Sino da Paz, uma cúpula que abriga um sino japonês, que podemos tocar.
O Monumento da Paz das Crianças 
conta a história de Sadako,
a menina vítima dos efeitos da bomba que lhe provocou leucemia e acreditava que se fizesse 1000 origami de grous se curaria. Não sobreviveu à doença e o memorial está sempre enfeitado com grous de papel feitos pelos meninos das escolas do Japão.
Continuando na peregrinação, aparece-nos a Chama da Paz 
que só será apagada quando todas as armas nucleares forem banidas da Terra.
Na mesma linha, o Cenotáfio,
desenhado por Tange Kenzo e onde estão os nomes de todos os que morreram e uma incrição que diz "Descansem em paz. Nunca repetiremos o erro". Na frente, sempre ramos de flores frescas.
O Museu Memorial da Paz 
conta a história da cidade antes
e depois da bomba,
com fotografias, vídeos, maquetas e objectos. É arrepiante! Um buda de bronze meio derretido,
a amálgama de peças de cerâmica,
um triciclo de criança desfeito,
um relógio de pulso parado na hora da deflagração,

a marca escura nas escadas do Banco Sumitomo de alguém que aí estava sentado.
Fotografias chocantes de mortos por queimaduras que estavam a quilómetros do hipocentro. E cenas da reconstrução, não se apercebendo as pessoas dos perigos que corriam dos efeitos secundários da radiação.
Porquê Hiroshima? Os alvos seleccionados previamente, além de Hiroshima, eram Kokura, Niigata e Nagasaki porque se pretendia uma grande área urbana onde os ataques aéreos eram proibidos. E Hiroshima era a única onde não havia campos de prisioneiros dos aliados de guerra.
A ponte Aioi-bashi, a única ponte em T,
era o alvo do "Enola Gay" e ficou a 300 metros do hipocentro. Foi reconstruída em 1983
e os seus destroços doados ao Museu Memorial da Paz.
Perto do Museu, as Árvores Fénix 
que estavam a 1,5km e foram transportadas para aqui. Renasceram, embora ainda apresentem cicatrizes.

No Monte Memorial, estão as cinzas das 70.000 vítimas que não foi possível identificar.

No dia seguinte, lavámos a alma com as coisas bonitas de Hiroshima.
O Jardim Shukkeien
fica a norte da cidade a 15-20 minutos a pé do nosso hotel. O seu nome significa "Santuário do Cenário do Chá".
O centro, Yakuei Pond,
tem mais de 10 ilhas, grandes e pequenas, circundado por montanhas, vales e árvores cuidadosamente podadas.
A ponte que se espelha no centro do lago, Koko-kyo ("Ponte do Arco-íris"),
é  o local predilecto para as pessoas darem comida às grandes e coloridas carpas.
Em 1945, o jardim foi destruído, mas a Prefeitura  de Hiroshima e o Instituto da Educação restauraram o cenário exactamente como o anterior.

Também a pé, chegámos ao Castelo. Destruído pela bomba atómica, foi reconstruída, em 1958, a Torre 
que está transformada em museu. É conhecido como "Rijo" ou "Castelo da Carpa".

Da janela do nosso quarto, vê-se uma espécie de stupa branco (prateado) no meio do verde.
Fizemos paragem a um taxi e mostrámos-lhe a foto que vem no mapa da cidade. É o History Walk and Pagoda Hike. Por gestos, falando em português, respondendo o homem em japonês, lá nos levou até meio da montanha, deixando-nos junto de um grande cemitério de campas cinzentas, em socalcos.
  (para evitar a grande escadaria do cemitério) bem sombreada por árvores.
Chegámos ao Pagode, no topo, com uma imagem de Buda à janela,
olhando a cidade lá em baixo.

O caminho de descida, embrenhava-se na mata densa. A claridade começava a diminuir, com o avançar da tarde e as nuvens a tapar o céu.
Depois do grasnar dos grandes corvos, no cemitério, já estávamos por tudo. Descendo, chegaríamos à cidade. O caminho era difícil... mas apareceu o primeiro altar,
depois o primeiro torii vermelho...
e lá estávamos nós animados de novo, a fotografar e a atravessar os 100 torii,
descendo do Pagode da Paz ao Toshogu Shrine.
E não é que estávamos perto do nosso hotel?!?



Amanhã, de Shinkansen, viajaremos para Osaka.