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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

TIMOR LESTE - TIMOR LOROSAE - EAST TIMOR

9 a 20 Julho 2018

Esta é uma viagem de saudade e deve-se essencialmente à insistência de uma grande amiga, Mimi Chungue, que conheceu o Alfredo há 48 anos no país que é o dela e onde o Alf passou 27 meses da sua juventude. 
Timor Leste ocupa a parte oriental da ilha de Timor e do país faz parte também o enclave de Oecussi, na costa norte e a ilha de Ataúro. 

Tem fronteiras com a Indonésia  (a parte ocidental da ilha) e com a Austrália pelo Mar de Timor.

Doze mil anos antes de Cristo, a ilha era habitada por um pequeno grupo de caçadores provavelmente polinésios. A antropologia e a cultura mostram que os timorenses de Leste e Oeste têm a mesma origem e foram as experiências coloniais (Portugal a Leste e a Holanda a Oeste) e civilizacionais que dividiram a ilha.
À chegada dos Portugueses, em 1512, a população estava organizada em dois grandes Reinos, Servião (a Oeste) e Belu (a Leste). Cada Reino possuía um governante, Liurai, com poderes de vida e de morte. Abaixo destes encontravam-se os chefes das povoações, uma população que sustentava a nobreza (impostos sobre as terras que cultivavam) e escravos.

Os Portugueses procuravam sândalo, a riqueza da ilha.

Em Fevereiro de 1942 foram invadidos pelos Japoneses para expulsar os Australianos que tinham entrado em Dezembro de 1941, violando a neutralidade de Portugal na Guerra Mundial e milhares de timorenses morreram ao lado dos Aliados.
Com a Revolução de Abril de 1974 e com a independência das colónias, em 1975 Portugal manteve-se neutral em relação aos partidos formados e o Governador português retirou-se para a Ilha de Ataúro a 27 de Agosto de 1975.
A proclamação unilateral da independência foi a 28 de Novembro de 1975.
A 7 de Dezembro de 1975, militares indonésios invadiram o território (com apoio dos USA e da Austrália, que temiam a política comunista) e iniciaram um período de genocídio que resultou num massacre de timorenses, com centenas de aldeias destruídas e utilização de napalm que queimou a maior parte da floresta tropical.
Em 1991, Max Stahl filmou a chacina do cemitério de Santa Cruz. 

Os timorenses estavam à espera dos deputados portugueses que iriam tentar um acordo pelas Nações Unidas e negociar uma solução para a independência. Os jovens manifestavam-se homenageando Sebastião Gomes que tinha sido morto pela repressão. Escondido no cemitério, o video foi recuperado e levado para a Nova Zelândia, Reino Unido e, em Janeiro de 1992 difundido para todo o mundo pela ITV. 

Foi a força dessas imagens 

que mobilizou a população portuguesa e o resto do mundo que pôs os olhos num pequeno país asiático.
Pressionados, os indonésios fizeram um referendo, devidamente apoiado pel ONU, que teve como resultado 78,5% pela independência. Então, as milícias, sob a protecção dos soldados indonésios, iniciaram um novo massacre, obrigando a população a fugir para as montanhas em busca de refúgio.
Em 22 de Setembro de 1999, soldados australianos, sob a bandeira da ONU, entraram no território completamente devastado.
Em 2002, Xanana Gusmão, o herói da guerrilha, foi eleito 1º Presidente de Timor Leste (Timor Lorosae).
*
Viajámos de Lisboa para o Dubai (de 7 para 8 de Julho, num voo de 7h40mn) e de Dubai para Bali (9h15mn) onde dormimos uma noite no Novotel Airport.
No dia 9 de Julho, fizemos a viagem para Dili, que não chega a 2h.
Na aproximação, da janela do avião vemos lugares que iremos descobrir: Tibar e as salinas,


Taci Tolo.


No Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato, 

a Mimi esperava-nos, gravando o instante. Foi empatia imediata. A Mimi é Família. O nosso poiso é no 
Golgota Hotel Resort, 

aos pés do monte que lhe dá o nome.


Almoçámos no Hotel Timor. 


Boas instalações 

mas comida repetitiva, como viemos a comprovar...

Dili é, agora, uma cidade muito cheia de trânsito e confusa.


Com a ajuda da Mimi, e por várias ocasiões, fomos reconhecendo os locais antigos e os edifícios modernos.


Uma nova igreja está em construção, 

mas a mais antiga de Timor, a Igreja de Santo António de Motahel, 

está bem tratada.

O mesmo não se pode dizer do antigo Hospital Civil e Maternidade.


O Palácio de Lahane, 

que foi residência dos governadores portugueses, tem a cor rosa típica e está bem diferente daquele que vimos em 2004, 

após ter sido desfigurado pelos indonésios!

Em alguns locais, a lembrança portuguesa está bem visível, como na Fonte dos Namorados 
(anos 60/70 do século XX) 


ou no Memorial à Resistência Portuguesa na invasão japonesa.


Os mercados estão por todo o lado. Vende-se na rua 


e no Mercado Municipal.


Visitámos a Casa da Cidadania

projecto da Dra. Isabel da Costa Ferreira com a colaboração da Mimi Chungue, 

para apoio e educação cívica dos meninos fora do horário escolar. 
Tinha uma exposição com o tema de Santo António...




Também visitámos o Museu da Resistência, 

emocionando-nos com o sofrimento deste Povo.

As mulheres da Alola Esperansa 

fazem os tais nos teares artesanais. 


(Alola foi a criança que foi raptada e violada pelos indonésios). 

Em uma outra ocasião fizemos uma visita a Taci Tolo (Três Lagos) 

de má memória, o local onde os indonésios depositaram tantos cadáveres! Mas agora é um local de recordações onde se fazem as grandes manifestações. 
Subimos ao monte e surpreendeu-nos uma escultura de João Paulo II 

da autoria de Alves André, cuja obra bem conhecemos.

E conseguem ver-se os 3 lagos.


Também fizemos uma pequena visita à Escola Portuguesa Ruy Cinatti

desde 2002 em Dili e que segue os programas escolares portugueses.

E logo no primeiro dia subimos ao Cristo-Rei 


para ver o pôr-do-sol!


Mas o melhor pôr-do-sol de Dili, foi o que fomos apreciar na 
marginal de Dili!!!


As estradas de Timor ainda não estão completas: existem troços muito bons e, depois, outras (normais, como dizia o Benjamim...), onde só carros com tracção às 4 rodas se aguentam.

A primeira saída de Dili, foi ambiciosa. Mas nada faz desistir a Mimi.


A primeira paragem foi na 
Cascata Fatissi, em Manleuana.


Um pequeno desvio levou-nos a um local lindo, a Lagoa de Seloi, 

com os seus campos de arroz. 
O arroz já tinha sido colhido, os animais limpavam os restos e, 


com a ajuda do vento, também o cereal era limpo das cascas secas.


Em Aileu, fotografámos o antigo Quartel 

com escudo português e um memorial às vítimas portuguesas de 1942.


Em Maubisse surpreendeu-nos a grandiosidade da Igreja  do Imaculado Coração de Maria 

comparada com a modéstia da cidade e dos seus edifícios habitacionais.

Algumas casas de construção portuguesa pertenceram a oficiais a prestar serviço ali.


A Pousada, recuperada no exterior 
(está linda!), 

decepciona em tudo o resto.

É pena: está num local privilegiado, rodeada por um cenário natural de nos deixar emocionados.


E a cidade, lá em baixo.


Mas conseguimos que nos improvisassem um almoço simples, depois de uma visita à cozinha para ver o que tinham!...

Na estrada para Same, passámos pelas montanhas de Flecha



encontrando semelhanças com os Alpes suiços e até um relevo foi baptizado pela Mimi como Montanha do Porco...


Na Montanha Kavlaki, vimos uma cascata.


E na Pedra de Deus, a Gruta Pedra de Deus ou Fatuk Maromak.


Em Mota Karaulo, além da beleza da pequena piscina


e das águas correntes, 


tivemos o convívio com os rapazes que fizeram questão de se fazerem fotografar connosco. 

Ficaram com a recordação dos malai.

Em Same, a desilusão foi a Pousada 

que foi residência do Administrador e família. Ao abandono, faz pena. 

A grande piscina vazia provoca um nó na garganta 

a quem ali deu  tantos mergulhos...

O banco recuperou uma das casas,


Parámos no Parque Dom Boaventura

um liurai que se revoltou contra a ocupação portuguesa, 

em 1912 na Guerra Manu-Fahe.

Em Betano, muitas palapas


principalmente à beira da praia 


com águas límpidas, convidativas. 

Mas há que estar atento porque há histórias de visitas de jacaré...

A antiga Alfândega está em ruínas. 

Já não são necessários os seus serviços.

Na estrada encontrámos um estranho cortejo. 

Foi-nos explicado pelo Jessee, o nosso condutor: é uma visita ao cemitério. Faz parte do Ritual do Luto: as visitas ao cemitério fazem-se na primeira , segunda  e terceira semanas após a morte. Depois, aos 40 dias, três meses, seis meses e um ano. Após um ano, faz-se uma festa de desluto, oferecida aos amigos pelos familiares do morto.

De novo a caminho de Same, a Igreja de Santo António, 

mandada construir pelo Padre António Maia que se encontra em ruínas desde a Guerra de 1942, em Hatumera.

Nas saídas de Dili, aproveita-se para comprar os produtos regionais... 
As bananas de Timor 

são pequenas e muito saborosas!

Voltámos a Maubisse para uma visita particular a uma família de saudade de há 48 anos!

Jantámos em Aileu, no Zery, bife, frango de Timor (são pequeninos e rijos) e peixe. Com arroz, claro.

Mas não descansámos no dia seguinte. 
A Mimi estava ocupada, mas delineou o percurso para o Jessee nos conduzir.

Em direcção a Taci Tolo e Tibar onde os barcos de pesca 


e as árvores na água salgada obrigaram a parar.


De uma janela, uma menina diz-nos adeus e a mãe sorri.


A seguir, o sal de Timor.


Em Ai Pelu, impôs-se a visita à 
Prisão de Ai Pelu.


O edifício principal, construído em 1889, funcionava como Posto de Comando e Alfândega. Mais tarde, começou a receber presos de Macau e locais que cometiam pequenos delitos ou não pagavam os impostos. 
Também presos políticos que eram deportados de Portugal, considerados perigosos para o Governo da Metrópole.

Um desses primeiros prisioneiros foi Manuel Viegas Carrascalão, 

anarco-sindicalista, preso várias vezes durante a Primeira República e depois deportado para Timor onde ajudou a combater os japoneses em 1942.

Das ruínas dos vários edifícios sobressai o da Administração 


onde, na cave, estavam as celas de isolamento.


Neste ambiente pesado, 


com muitas histórias contadas e por contar, nascem, agora, flores. 


E as jacas prometem doçuras. 


Bem perto, a bela praia de Lau Hata 


sombreada por altas palmeiras. 
A areia é escura. Saboreámos um refresco junto das flores 


e mais jacas.


A estrada estava cheia de jovens que iam almoçar. 

O colorido diverso dos fardamentos distingue as várias escolas. 
É o futuro de Timor!

Mais uma praia, esta muito frequentada por australianos, talvez por isso o nome em inglês: Black Rock.


Já estamos em Liquiçá. Casas antigas 

lembram a presença de Portugal. Também a antiga Alfândega está abandonada.


Em Maubara, o Forte persiste!


No interior, a pequena casa foi transformada em restaurante para turistas. 
Uma mós bele 


(que significa casa limpa), o restaurante Tia Janete.

Enquanto nos preparavam o almoço, fomos visitar, nas traseiras, o Cemitério dos Liurais 


onde o que chama a atenção é a campa de Dom José Nunes, o liurai que quis ser sepultado sob o Escudo português.


Continuámos a encontrar muitos grupos de crianças das escolas. Timor é, em todos os sentidos, um país jovem!

Mais uma bela praia, Tibalau


avistada a partir de uma pontinha da costa.
A estrada tem um piso muito bom. Atravessa a Ribeira de Loes 

que nasce na Indonésia (a fronteira é perto).

Começam os arrozais de Atabae.


E também em Atabae, fomos visitar a Plantação de buah naga 

ou dragon fruit. A senhora não fala português, mas fomo-nos entendendo. Além de bonitos, os frutos (que nos deu a provar) são dulcíssimos. 


Conhecia , de outras paragens, os de interior branco... estes são bem vermelhos. 


Não é bem época, mas ainda nos arranjou um quilo para presentear a Mimi. 
Os galos de luta (futu manu) 

estão presos ao ar livre. 

E os gatos olham-nos com surpresa.


Atabae também tem praia.


Em Balibó


como não podia deixar de ser, fomos prestar homenagem aos 5 jornalistas 

(Brian Peters, Bristol, Inglaterra; Malcom Rennie, Nielston, Escócia; Tony Stewart, Melbourne, Austrália; Greg Shacklieton, Brisbane, Austrália; Gary Cunningham, Wellington, Nova Zelândia) torturados e executados pelos militares indonésios a 16 de Outubro de 1975, com um "fechar de olhos" do Governo de Canberra.

Para desanuviar, soube bem uma bebida fresca na bonita Pousada, dentro do Forte.


No regresso a Dili, fomos fotografar o fim do dia na praia de Bia Kloa.


A pedido da Mimi, para angariar fundos para os "seus meninos", o Alfredo prontificou-se a cantar fados de Coimbra e de Lisboa, um espectáculo de hora e meia depois de um jantar com a boa organização de amigos e funcionários do Golgota Hotel
Foi um sucesso, com participação de alguns nas canções típicas de Timor.


A viagem à ilha de Jaco obrigou a uma noite fora do hotel. 
Fizemo-la nos dias 14 e 15 de Julho.

Saímos de Dili em direcção à ponta leste da Ilha.

Parámos em Fatu-Ahi 

para uma panorâmica.

Passámos pela Termo-eléctrica, pelo ponto de distribuição de gasolina e pela fábrica da Heineken.


A costa mostra árvores na água do mar.


Em Metinaro, os pescadores e os seus barcos compõem um belo cenário.


A Academia Militar 

aparece antes do Memorial da Resistência 

onde, logo à entrada, à esquerda, está o memorial às vítimas do Cemitério de Santa Cruz.


É um sereno e belo local. 

Para que se não esqueça.

E as praias continuam bonitas: 
praia de Metinaro, 


praia de Ilimanu.


No Subao Kik ou Subão Pequeno, as rochas têm formas inusitadas 


e a costa continua muito bonita.


Em Laclo, a casa do Dr. Ramos-Horta, 

feita de contentores, chama a atenção.

No Subão Grande, as formações montanhosas 

lembram as Three Sisters das Blue Mountains, perto de Sidney.

Em Bee Hedan, tivemos que parar e molhar as mãos na Fonte de Santo António, para a viagem correr bem. 

A água da fonte sai da raiz de uma árvore hedan.

Na Praia de Obrato, a beleza não deve enganar. 


O aviso está lá 


e o crocodilo também!


Bem perto da água, as casa dos pescadores 

que, agora, têm bancas à beira da estrada para confeccionar o peixe que pescam, para os turistas.


Foi onde almoçámos, um bom peixinho acabadinho de pescar 

e arroz cozido sob pressão num invólucro de folha de palmeira.


A caminho de Manatuto, os búfalos pastam.


Na chegada à cidade, somos recebidos pela estátua de Santo António.


As casas simples, com colunas, 

são do tempo português, dos chineses timorenses que aqui residiam, como se pode ver pelo cemitério característico. 


A Igreja de Santo António de Manatuto está bem tratada.


Um pouco mais para o interior, em Caleia, surpreendemos um "hair stylist" à beira da estrada.


E muitos arrozais 


com grandes palmeiras e mais búfalos.


Até Baucau, a estrada da costa... parece uma "auto-estrada"!


Na cidade, muitas casas com traço português 


e o grande Mercado municipal, 


agora Centro de Convenções.


A Pousada, com efeitos de calçada portuguesa, 


está muito bem, com uma ala nova. 


Tomámos um café e descemos à estrada, já com o sol a pôr-se. 


Ao longe, o pico da montanha Mata Bia 


e o reflexo vermelho na ribeira.


Chegámos a Tutuala já noite cerrada.


E a Pousada foi uma decepção, 

tanto na refeição como nos quartos. 

Nem o nascer do sol foi tão bonito quanto a Mimi prometera!...


A travessia para a Ilha de Jaco estava combinada  e o pescador veio ter connosco e acompanhou-nos até à praia onde existe um "resort" com quartos sem banho privado a 100 dólares por noite!!!...

Mas a praia é belíssima. 


Restos de corais estão por todo o lado, 


as árvores debruçam-se sobre a areia branca e a água é quente.


E tem a ilha de Jaco à vista.


A travessia para a ilha de Jaco demora cerca de cinco minutos, no pequeno barco de pesca.


E é um autêntico paraíso.
Um casal que também estava na Pousada de Tutuala , era a nossa única companhia na ilha. Mais ninguém. 


Reserva Natural protegida, não é permitido construir, pernoitar e foguear.

O verde da sua mata, 


a brancura das suas areias 


e os tons das suas águas, 


são os atractivos da pequena ilha.

Mas não é aconselhável nadar até muito longe porque os tubarões frequentam este canal entre a ilha pequena e a ilha grande de Timor!

Chamámos os pescadores 


e tínhamos o almoço pronto, do outro lado: barracuda e batata doce assadas, em travessa de cartão e dedos como talheres. 

Uma delícia!

No regresso a Dili, voltámos a parar na pousada de Baucau para a sobremesa: leite-creme.

Antes de Los Palos (fizemos um desvio para fotografar as casas...), a Montanha de Loré (Quatro Picos).


Fotografámos várias casas em mau estado 



mas o Jessee levou-nos a uma outra, reconstruída e muito bem tratada. 


Algumas variantes em relação às originais, com pormenores que fazem lembrar a cultura polinésia.


Os três pisos destas casas têm significado: 

no primeiro estão os animais, no segundo residem as pessoas e o terceiro (com enfeites em prata) é dedicado aos espíritos.

O dono, muito simpático, ofereceu-nos toranjas 


e lá ficou com os seus muitos cães, 


galinhas e galos de luta.


Em Lautém, passa o rio Apicuro 

onde três freiras, dois seminaristas e três padres, que protegiam a população, foram lançados aos crocodilos pelos militares indonésios em 1999, como recorda o Memorial.


Mas as praias continuam lindas, como a baía de Lautém, Lai Bai.


Em Laga, voltámos a espantar-nos com as árvores na água do mar.




Parámos também para fotografar as salinas 


e os arrozais.


E o pôr-do-sol foi em Manatuto.


O dia 16 foi de descanso e jantámos no Nari's, restaurante coreano de Dili, na zona do Farol: 
salada de tofu com dois molhos 


e japsae (noodles de farinha de arroz com cogumelos e algas),


acompanhados por sumo de anona.


No dia seguinte, foi o Benjamim que nos conduziu até Bobonaro. 

Queríamos ver Mota Bandeira e as Termas de águas sulfurosas.

Em Railaco parámos para visitar a "Timor Global", produção de café. 


O café de Timor é dos melhores do Mundo.


É terça-feira, dia de mercado 

que continua a fazer-se perto da estrada. 
As pessoas deslocam-se a pé ou nos "microletes", pequenos autocarros que pertencem ao Estado. Porque a povoação se localiza lá em baixo, no vale.


Durante a ocupação indonésia a maior parte das aldeias foram deslocadas das montanhas para serem melhor controladas.

Em Gleno aconteceu o mesmo. 
Mas a grande Igreja de Nossa Senhora da Graça 

foi construída no alto. 

Bonita, com muita luz interior, 


bonitos vitrais 


e janelas ogivais. 


As cruzes do exterior, terão um significado...


Uma pequena e charmosa igrejinha, em Gulolo 


e mais uma, monumental, ao longe, com uma estranha torre sineira, em Letefoho.


Continuando na estrada Gleno-Maliana, conseguimos ver o Tatamailau

o pico da montanha Ramelau.

Estamos no Município de Ermera e a estrada está ladeada por cafezais 

protegidos pela árvore madre-cacau

É uma das riquezas de Timor Leste que os militares indonésios tentaram destruir, queimando centenas de hectares em 1975.

Atravessámos a ribeira Mota Bandeira


e já se avista Atsabe onde se destaca a igreja.


Chegados à Cascata Mota Bandeira

ficámos desiludidos porque a vegetação a esconde. 

Valeu-nos as fotografias que tirámos ao longe.


Também é dia de mercado em Atsabe, 

que se faz ao longo da rua principal e isso gorou-nos o programa do almoço porque a cidade está cheia de gente.
Valeu-nos o lanchinho da Mimi.

Continuámos para Bobonaro e cortámos à direita 

em direcção às Be Manas, as Marobo Hotsprings, a 5,5km.

A estrada não é boa, mas a paisagem compensa. Palmeiras, palapas 


e as montanhas 


Loe Laku ou Lailaco 


que se estendem à volta das piscinas restauradas. 


Foi construído um complexo interessante 

que, infelizmente, está abandonado.

Como abandonado e em ruínas está o possível hotel termal.


Fotografámos Maliana de passagem: casas baixas mais ou menos precárias 


e o quartel dos bombeiros rodeado de flores vermelhas.


Na Pousada de Balibó 

comemos um almoço tardio, com pouco cuidado na confecção. 
Foi um improviso.

No regresso, as bancas de produtos locais 

convidam à compra do que vai escasseando em Dili.

E cenas de ruralidade convidam à fotografia.


A noite aproximava-se e conseguimos, ainda a alguns quilómetros de Dili, um bonito pôr-do-sol. 


No último dia, choveu. Como se Timor chorasse a nossa partida.

Mas vamos acabar com o mais bonito pôr-do-sol que presenciámos, em Tibar, arriscando a vida... 
É que a praia estava vedada com arame farpado (que ignorámos, encontrando uma pequena falha) e nem suspeitávamos que era por causa dos crocodilos!




                         * * *