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segunda-feira, 23 de julho de 2012

JAPÃO - KYOTO



20 a 25 Abril 2012


Saímos de Tokyo no Shincansen, o combóio-bala,
e foram duas horas e meia até Kyoto.



KYOTO foi fundada em 794 ( Hein-kyo = capital da Paz e da Tranquilidade), rodeada por montanhas por três lados e atravessada por um rio
que corre de norte para sul (no bom preceito do Fengshui).
Como a população cresceu muito, a higiene tornou-se um problema, principalmente com as cheias do rio Kamo. Surgiram doenças e, para apaziguar os espíritos, começaram a aparecer rituais e festivais, o que resultou numa profusão de templos.
A cultura de Kyoto foi influenciada pela nobreza, samurais, patronos do Budismo e até mercadores, sobretudo tecelões de seda de Nishijin. Foi capital até 1868.



O hotel, o "Citadines Karasuma apart'hotel" tem uma arquitectura original e interior muito zen.
A cinco minutos a pé da estação ferroviária.
Às 15h, já não havia restaurantes a servir refeições mas, na Karasuma dori, o "Irish Pub - Man in the Moon - Karasuma" funciona 24h.

A Shijo dori é a grande avenida com passeios cobertos,
onde é proibido fumar e circular bicicletas e onde se encontram as grandes marcas internacionais de moda. A cidade é plana e as pessoas usam muito as bicicletas que circulam nos passeios, o que é um pouco incómodo para os peões...



E a pé chegámos a Gion, o bairro das gueixas de Kyoto.


A sua história vem da época feudal em que existiam bancas para servir os peregrinos e visitantes que se tornaram nas casas de chá e, no séc.XVI, o Kabuki (Teatro japonês)
 mudou-se da margem do rio Kamo, onde tinha começado, para vários teatros a leste do rio, contribuindo para dar ao local a fama de paraíso dos boémios.
A Hanami-koji dori é a rua mais típica
com as casas de madeira das gueixas, de chá e restaurantes.
No Teatro Kaburenjo 
assistimos a uma mostra da cultura da cidade, num espectáculo especialmente feito para turistas, por 2800 ienes/pessoa, com a cerimónia do chá, música com arpa japonesa,
arranjo floral (kado ou ikebana),
canto (kyogen), dança (kyomai )
e marionetas (bunkaru).


Numa viela, descobrimos o "Lattonzolo D'ovo", onde um chef muito jovem, japonês, fez arte nas massas, carnes e legumes... à italiana!...



No dia seguinte, por 220 ienes de autocarro, chegámos ao Kinkaju-ji, Pavilhão Dourado,
cheio de turistas. O seu nome formal é Rokuon-ji 
e foi construído entre 1358 e 1408 por Yoshimitsu, 3º shogun Ashikaga que se fez monge aos 37 anos e se retirou para aqui. Rodeado por um belo lago, presta-se a belas fotos.


Os Jardins de Pedra Ryoan-ji,
outro templo onde também chegámos de autocarro, são um local de meditação. Considerado a expressão máxima do Budismo Zen, o jardim de saibro branco, com 15 pedras é contemplado em silêncio a partir de um anfiteatro em madeira que pisamos descalços. Belos jardins à volta.


De táxi, fomos até Ginkaku-ji, almoçando perto, num restaurante pequeno, experimentando a comida regional acompanhada pelo típico arroz viscoso.
O Ginkaku-ji é mais conhecido por Pavilhão Prateado (Jisho-ji) e foi, inicialmente, o refúgio de montanha do shogun Yoshimasa (1358-1408) que, em tributo a seu avô que cobriu o Kinkaku-ji com folhas de ouro, pretendia cobrir este com prata mas, entretanto, a Guerra Onin impediu-o de concretizar a sua ambição.
É um belíssimo pavilhão de madeira de 2 pisos,
onde sobressaem as janelas brancas, magnificamente envolvido por uma paisagem muito bonita.
E por jardins de paisagem seca, muito originais, com o saibro trabalhado em ondulações
e um monte simbolizando o Fuji, o ponto mais alto do Japão.
Afoitámo-nos, depois, a pé, pelo Caminho do Filósofo, ao lado de um canal de águas correntes,
ladeado por cerejeiras em flor, no sopé das Higashiyama (Montanhas Orientais).
O percurso, de cerca de quilómetro e meio, deve o seu nome ao professor de Filosofia da Universidade de Kyoto Nishida Kitaro (1870-1945) que o fazia diariamente.
Vários santuários xintoístas,
com os seus torii,
altares e portas com shimenawa (uma corda de palha de arroz pendurada nas entradas, separando os lugares sagrados dos seculares)
e também amuletos e ex-votos (amamori).
No final, no Nanzen-ji,
sobressai a enorme Sanmon (porta) de dois andares,
erguida em 1620 em memória das almas dos mortos no Cerco de Verão ao castelo de Osaka e foi esconderijo de Ishikawa Goemon, um lendário fora-da-lei que acabou queimado vivo. Curiosamente, a porta de madeira foi construída sem o uso de pregos.
Passámos paralelamente ao grande canal que ladeia o Zoo e depois a ponte vermelha e o grande torii do  Heian-kyo.


Acabámos o dia no "Lattonzolo D'ovo", a festejar o meu aniversário com a boa comida italiana acompanhada com vinho da Toscana.

A noite foi tormentosa, com ventos ciclónicos. O barulho era tanto que chamámos a recepção para saber o que se passava.
E o dia amanheceu cinzento e chuvoso.

De manhã, fomos de metro até ao Castelo Nijo (Nijo-jo),Património Mundial da Humanidade desde 1994.
Inicialmente construído como residência oficial de Ieyasu, primeiro shogun Tokugawa, em 1603, foi completado em 1626 pelo 3º shogun, Iemitsu, que lhe acrescentou algumas estruturas do castelo Fushimi. Em 1867 passou a propriedade da Família Imperial que, em 1939 o doou à cidade.

A entrada, sobre o alpendre das carruagens, tem uma trabalhada escultura de madeira com aves em voo, pavões e delicadas flores.
A porta Karamon, da época Momoyama, tem aplicações douradas e é de estilo chinês.
O complexo é composto por vários pavilhões

à volta de um lago e jardins,
unidos entre si por corredores que percorremos descalços, para podermos admirar as salas amplas, minimalistas, onde apenas sobressaem as belas pinturas das paredes com tigres e panteras em tamanho natural nas matas de bambú e pinheiros, garças e gansos selvagens, andorinhas e pavões. As pinturas são da Escola Kano, de uma família de samurais de classe baixa que ganharam notoriedade no séc.XV com as suas pinturas de estilo chinês.
O jardim é composto por uma grande variedade de rochas, água e cascata e pequenas pontes de pedra.
E uma das maiores colecções de cerejeiras, muitas ainda em flor.


No mesmo dia, ainda visitámos, na zona de Okazaki, o Santuário Heian 
com o grande torii vermelho por cima da avenida.
Foi construído em 1895, para animar as pessoas pela sua tristeza por Tokyo ter sido nomeada capital em 1868. É visitado pelas várias gerações
que o procuram para as suas meditações e pedidos de prosperidade e felicidade.

O seu nome vem do nome original de
Kyoto, Heian-kyo.



O Santuário Fushimi 
fica um pouco fora do centro da cidade e servimo-nos do Pass da JR para lá chegar. É o mais famoso dos muitos santuários dedicados à deusa do arroz, Inari, que se identificam pelas raposas de pedra com peitilhos vermelhos que guardam os templos. 
É um templo xintoísta e o sacerdócio está reservado às famílias importantes (Shake). Os Kannushi usam túnicas brancas
e vermelhas e realizam cerimónias de purificação e outros rituais.
Percorremos mais de um quilómetro da avenida formada por centenas de torii de cor vermelho-alaranjada,
oferecidos por homens de negócios que pedem prosperidade, rodeados pela frescura da floresta e muitos altares a Inari.



Também de combóio, chegámos ao 
Templo Sanjusangen-do 
para nos deslumbrarmos com um dos maiores tesouros do Japão, dentro de um edifício que data de 1164 e é a mais longa estrutura de madeira do Mundo.
São 1001 imagens de Kannon (deusa da Misericórdia), brilhando no escuro, provocando um efeito mágico.
São feitas em cipreste japonês, a maioria do séc.XIII. A imagem principal, com 1000 braços, foi esculpida em 1254 por Tankei, quando já tinha 82 anos e, sobre a cabeça, tem outras 10 cabeças e uma miniatura de Buda Amida.

Algumas cerejeiras ainda em flor, no jardim exterior.




Almoçámos no Kiyomizu Junsei Okabeya que deve querer dizer qualquer coisa como "Praça da Restauração",
onde chegámos de táxi e onde saboreámos o tofu, a tempura e outras delícias.




Subimos a estreita rua pejada de gente
que se dirigia ao Templo Kiyomizu,
local de culto de todas as seitas religiosas que vão orar à Kannon de 11 cabeças e beber da fonte sagrada (kiyomizu = água). O templo mais importante, no meio da floresta, estava em obras.
Fotografámos o pagode
e descemos até a Kannon Ryozen,
uma figura de betão de 24 metros de altura dedicada aos soldados japoneses mortos na II Guerra Mundial. Fora, um casal de noivos estava a ser fotografado.



Percorremos a Ne-ne Michi,

uma grande avenida ladeada por lojas elegantes e galerias privadas, onde se podem ver os belos quimonos que algumas mulheres fazem questão de exibir, com naturalidade.
E as ruas empedradas Sannenzaka (encosta três anos) e Ninenzaka (encosta 2 anos), com as suas casas bem conservadas. O nome vem dos degraus que vamos encontrando e que, dizem, uma queda traz 2 ou 3 anos de azar...



À porta do Santuário Yasaka,
o simpático jovem do riquexó deixou-se fotografar.

Atravessámos o Parque Maruyama... e estávamos em Gion!
A caminho do hotel, depois da ponte sobre o Kamo, percorremos a rua Pantocho,
já com alguns néons a brilhar. O local foi um banco de areia ao lado do rio, começando a ser explorado em 1670. A zona prosperou como bairro de entretenimento e passou a bairro gay. As pequenas casas de madeira (ochaya) permanecem, algumas viradas para o rio, como casas de chá e gueixas (femininas e masculinas...).


No último dia de Kyoto, fomos até ao Parque Imperial (Kyoto Goen), que é um oásis no meio da cidade.
Pessoas de todas as idades, mães com bebés
e muitas crianças dos infantários, muito ordenadamente a cumprir as tarefas de experimentação que as educadoras lhes indicavam.
E as cerejeiras em flor, os regatos e a frescura do ambiente...
No ponto de informações, inscrevemo-nos para a visita ao Palácio,
que é livre, mas que tem que ser feita com guia. Só há duas visitas por dia e a da manhã já tinha decorrido. A nossa marcação ficou para as 13 horas e 40 minutos.



Entretanto, fomos, de táxi, até ao Mercado de Nishiki chamado a "Cozinha de Kyoto",
na rua com o mesmo nome, paralela à Shijo, entre as ruas Teramachi e Takakura.
É uma comprida rua coberta, pejada de gente, com bancas de um e outro lado,
com os mais variados ingredientes típicos do Japão desde o fu (glúten de trigo) e yuba (nata de leite de soja), artisticamente apresentados, como aquelas obras de arte de farinha de arroz.
Peixes, os mais variados
e pickles (o cheiro é intenso!). 
É qui que os melhores chefs de Kyoto se vêm abastecer.



Fizemos o nosso picnic, regressando, numa mesa de pedra no Parque Imperial,
perto da porta do Palácio Imperial.
Às 13h:40min entrámos e foi-nos apresentado um filme sobre a história do palácio, em inglês. Às 14 horas em ponto, o grupo de cerca de 50 pessoas iniciou a visita guiada. A área é muito grande (450X250 m), espaçosa entre os diversos pavilhões,
mas os artefactos da guia faziam com que não houvesse dificuldade na audição, apesar da dispersão das pessoas.
Em 784, o imperador Kanmu mudou a capital de Nara para Kyoto. O seu palácio está situado no mesmo local, embora tenha sido reconstruído várias vezes por ter sido destruído pelo fogo.
O complexo tem 6 portões. Entrámos pelo Seishomon,
seguimos e encontrámos o Okurumayose,
a entrada para as visitas oficiais dos cortesãos ao palácio.
Shodaibunona
é a sala de espera das visitas, com piso em placas de tatami.
São três salas que se distinguem pelas belas pinturas nas paredes com tigres e cerejeiras.
O Shishinden
é o edifício mais importante do palácio, usado em cerimónias de Estado, totalmente feito em madeira de cipreste.
O maior edifício é o Otsnegoten com 15 quartos.
Encantador é o jardim Oikeniwa com um lago, pedras, ponte de pedra: um cenário lindíssimo para acabar a visita de Kyoto.




Espera-nos Hiroshima!