Translate my Blog

sábado, 15 de março de 2014

VIETNAME - SAIGÃO (HO CHI MINH CITY)



24 Novembro a 28 Novembro 2013


A história do Vietname é uma das mais longas e continuadas histórias do Mundo, com achados arqueológicos mostrando colónias humanas desde há 500 000 anos e uma história cultural de mais de 20 000 anos. Foi uma das civilizações mais antigas na prática da agricultura.

O primeiro Estado Vietnamita, protegido pelo delta do rio Vermelho a sul e pelo vale natural, florestas e montanhas a norte e a oeste, data de 2879 aC.
Toda a geografia do país dificultou as invasões de povos estranhos, mas não impediu que Mongol Yuans, Mings, Manchus, Holandeses, Franceses e Americanos os massacrassem.
O chamado "Longo Eclipse", é o milénio chinês, de 111 aC a 938 dC em que os Chineses ocuparam o território.
O regime feudal, com imperadores e grandes senhores, decorreu desde a independência da China, no século X até à conquista pelos Franceses no século XIX.
Marco Polo também passou por aqui, depois dos Romanos e dos Portugueses, no século XVI.
De 1859 a 1867, as tropas francesas expandiram o seu controle até 6 províncias do Delta do Mekong e formaram a colónia conhecida por Cochinchina.
Durante a II Guerra Mundial, os Japoneses invadiram a Indochina.
Em 1941, Nguyen Ai Quoc (Ho Chi MInh) formou, no norte do Vietname, a Liga para a Independência do Vietname, dominada pelo partido comunista. Então, os Viet minh, a sul, juntaram-se com os Americanos e Japoneses e formaram os Kuomitang  entre 1944-45 e milhões de vietnamitas morreram. Entre 1954 e 1975, o país ficou dividido entre Comunismo a Norte e Capitalismo a Sul.
A Guerra do Vietname (1954-1975) era suportada pelo Exército Americano a Sul e pelo Exército Soviético a Norte.
Foram os Portugueses que introduziram o alfabeto no Vietname e, também, o Cristianismo.

Viajámos com a Emirates desde o Dubai e foi todo o dia de viagem.
Depois de 5800km calmos, a grande confusão estava no aeroporto para obter o Visto de entrada no País. Há pessoas à espera há cerca de uma hora. Não se entende o problema. O calor é muito. Há um grupo de portugueses em que a organizadora está desesperada.
Com 90 milhões de habitantes no país, 10 milhões residem em Ho Chi Minh City onde 6 milhões de motorizadas nos dão cabo da cabeça!
Depois de uma refeição ligeira no bar do 
"Liberty Central Hotel", 
onde o fumo e mau cheiro do tabaco acelerou a nossa saída, passeámos no mercado nocturno de Ben Thàn, muito animado, ali mesmo, ao virar da esquina.
A cidade, é a maior do país e o seu centro económico.
Ainda são visíveis as casas de estilo Colonial francês, com muita mistura de comércio nos passeios, juntamente com as motorizadas, num cenário caótico onde é difícil circular.

Originalmente chamada Prey Nokor, começou como uma pequena cidade piscatória onde vivia o povo Khmer. Só em 1623 os Vietnamitas aqui chegaram. Em 1859, os Franceses colonizaram-na e deram-lhe o nome de Saigon, tornando-se a capital da Indochina Francesa. A construção de edifícios de arquitectura ocidental, deu-lhe o encanto que a levou a ganhar o título de Pérola do Oriente. Nos anos 60 do século XX, com a Guerra do Vietname e com a chegada dos Americanos, Saigon tornou-se local de guerra pesada.
O Palácio da Reunificação ou 
Palácio da Independência 
está localizado no local onde existia o Palácio Norodom e foi o local de trabalho do Presidente do Sul do Vietname durante a Guerra do Vietname. Bombardeado em 1962, foi demolido e reconstruído segundo a arquitectura vietnamita, tendo sido inaugurado a 31 de Outubro de 1966 pelo general Nguyen Van Thieu na altura presidente da Junta Militar, que aqui viveu até 21 de Abril de 1975, quando foi tomado pelas forças comunistas do Norte. A Sala de Reuniões, 

o Gabinete do PM, a Sala de jantar formal 
e a íntima, 

diversas salas para receber pessoas importantes, o pátio interior com o jardinzinho e os troféus, 

a sala privada de cinema e, no subsolo, o bunker com as telecomunicações 

e quarto secreto de Nguyen Van Thieu, são alguns dos locais visitáveis. 

No terraço, o helicóptero americano que serviu para a fuga do edifício.

A paragem seguinte foi na Basílica de Notre-Dame de Saigon
de estilo Neo-Românico, com tijolos vermelhos importados de Marselha, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, construída pelos Franceses entre 1863 e 1880. As duas torres sineiras, com 6 sinos e 57,6m de altura, foram-lhe acrescentadas em 1895. Em 1959 foi colocada a estátua de Nossa Senhora da Paz, em granito, em frente à Catedral.



Ao lado, o Central Post Office
de arquitectura de estilo Neoclássico, construído no início do séc.XX e projectado por Gustave Eiffel, ainda está a funcionar. 
Na fachada, há um enorme relógio e,

no interior, muito elegante, com tectos abobados, há um retrato gigante de Ho Chi Minh.

O passeio a pé levou-nos à Opera House
também construída no período colonial francês. O projecto é da responsabilidade do arquitecto Eugene Ferret. É sede do Ballet e da Orquestra Sinfónica de Ho Chi Minh City.

O City Hall
também de estilo colonial francês tem, no parque em frente, uma estátua de
Ho Chi Minh com uma criança.
Não é possível visitá-lo porque é um edifício governamental, mas merece as fotos do seu magnífico exterior, com a curiosidade de a torre sineira estar num pódio com a forma de pirâmide.
Toda esta zona tem belos edifícios 
com as mesmas características arquitectónicas e é bem diferente do resto da cidade, com ruas amplas e comércio melhor organizado.

A visita ao Government Factory of Laquerware 
foi muito interessante. Embora já conhecessemos a técnica, foi muito bem explicada e tem obras de arte fantásticas.

O Emperor of Jade Pagoda, Taoista, construído pela Comunidade Chinesa em 1909, fica noutra zona da cidade. As tartarugas são muitas 
e existe, mesmo, uma delas gigante num pequeno lago.
Como todos os templos taoistas, são visíveis os guardiães 
e muito fumo de incenso. 
Dentro, as deusas da fertilidade.

Depois, em Cholon, no Distrito 5 (a Chinatown de Ho Chi Minh City), na margem ocidental do rio Saigon, encontramos o Mercado Binh Tay
uma verdadeira babilónia de produtos vendáveis fabricados na China 
e outros. 

Também aqui, o Pagode Thien Hau
dedicado à Senhora do Mar (Tian Hau). 
As decorações em porcelana 
são espantosas, criadas no início de 1900, com dragões, tartarugas e personagens de uma finura de pormenores belíssimos.

Almoçámos no "Po 2000" 
que serve o típico pote com noodles ("bowl of po"), 
uma grande malga com sopa de noodles enriquecida com carne, galinha ou camarões. Trazem alguns molhos que convém experimentar antes de pôr na sopa. 
No piso de baixo, no "The coffee bean and tea leaf", 
o cafezinho muito bom e…wi-fi, tendo aproveitado para mandar algumas fotos aos amigos!

O hotel fica muito perto e depois de um instantinho de descanso, enquanto a Suzana ficava no Benthanh Market,
aventurámo-nos até à beira-rio, com o mapa da cidade na mão. Mas atravessar as ruas é uma odisseia! 

Direi, mesmo, uma aventura digna de um filme de Spielberg. As motorizadas não respeitam os semáforos e muito menos as passadeiras. E ainda apitam, numa sinfonia ensurdecedora!

O rio Saigon está todo sujo. 

E os barcos de cruzeiros estão parados porque o dia está a acabar.

Do outro lado da To Duc Thang, os belos edifícios de arquitectura colonial, lembram tempos passados.
Regressámos enfrentando, de novo, o inferno das motorizadas, caminhando devagar, sempre a direito e de braço levantado como aprendemos com os locais. Parar no meio da rua ou mudar bruscamente de direcção, é morte certa!!!
Parámos para um refresco e encontrámos a Suzana, para jantar no "Casa Italia", com comida boa e bons anfitriões, desde os empregados ao dono, australiano.

No dia seguinte, percorremos os cerca de 40km até aos Túneis de Cu Chi.

Começaram a ser construídos durante a ocupação francesa e levaram cerca de 20 anos a ser construídos, tendo vivido neles cerca de 1600 pessoas.
Estendem-se por 200km entre a fronteira do Camboja e Ho Chi Minh City. Nos anos 60 do século XX foi o ponto fulcral e vital da Guerra do Vietname, ajudando os vietcongs (guerrilheiros comunistas) a controlar grandes áreas rurais, combatendo o exército do Vietname do Sul e os Americanos.
Quando vemos os filmes romanceados sobre a Guerra do Vietname, a versão é sempre a dos Americanos. O filme que nos foi mostrado, em imagens muito gastas a preto e branco, mostra uma Cu Chi rural, como um paraíso onde as flores 
e várias qualidades de frutos 
cresciam em abundância, bastando estender as mãos para os colher. Esse paraíso foi destruído por um inimigo vindo de milhares de quilómetros de distância e sem que os habitantes tivessem feito qualquer mal. Havia que combater e resistir. O artesanato das suas armas, no início, era de uma imaginação fabulosa, à primeira vista, cruel… 


mas era a única maneira de matar o inimigo. Mais tarde, tiveram ajuda da China e da Rússia.

A construção dos túneis foi a maneira engenhosa para se esconderem na floresta, jogando com o efeito surpresa e com a pequena estatura física comparada com a dos americanos. 

Em 3 níveis, tinham cozinha, hospital, sala de reuniões e local de fabrico de armas. Interessante, era o facto de estes "Gorilas de Cu Chi" esconderem os rostos com máscaras para não serem reconhecidos, se houvesse infiltrações, evitando, assim, possíveis denúncias ao governo de Saigon. Orifícios de respiração 
e sinalização com folhas, 
eram essenciais para encontrar os buracos de entrada bem camuflados.

Depois da visita, bebemos um chazinho de um arbusto de folhas compridas e comemos beterraba cozida que íamos temperando com uma mistura de açúcar, sal e granulado de amendoim, e regressámos a Ho Chi Minh City com um tráfego desgraçado !
Os restaurantes, felizmente, estão abertos até bastante tarde, o que nos deixou ainda almoçar em Saigão.
O prato-surpresa foi escolhido pelo Alfredo: 
"Bánh Xèo" (panqueca vietnamita de arroz com camarões e carne de porco). 
E aprendemos a apreciar o Núóc-mam ao qual se adiciona: alho picadinho, sumo de limão, chili, açúcar e cenoura picadinha. Núóc-mam  é o molho de peixe muito malcheiroso, 
que resulta da maceração de peixe em salmoura durante pelo menos um ano em barricas de madeira.
O Alfredo não resistiu a trazer uma garrafa para Portugal...
Ao jantar, voltámos ao "Casa Italia", o restaurante do australiano de Melbourne.

A viagem ao Delta do Mekong foi diferente da que fizemos há 7 anos.
Saímos cedo, 
para não apanhar a hora de ponta, mas em Saigão é sempre hora de ponta!
Pelo caminho, campos de arroz extensos, com as campas de família. 

Pelo que percebi, os cemitérios do Estado são muito caros e as pessoas enterram os seus mortos nos campos onde trabalham, perto das suas casas.

Cerca de uma hora depois de sair da cidade, parámos numa bela área de serviço 

onde a flor de lótus é raínha. 

Usam o lótus para muita coisa: comem-se os rebentos, faz-se saladas e cozinham-se alimentos envolvidos pelas suas folhas. Colocam a flor em água para meditar e acabar com a depressão!
O Mekong é o 10º maior rio do Mundo, nascendo no Tibete e passando por Yunan (China), Myanmar, Laos, Tailândia, Camboja e Vietname. Aqui, chama-se Cuu Long Giang que significa "Rio dos 9 Dragões".
O estuário do Mekong, Delta, ocupa uma área de cerca de 39 000 quilómetros quadrados, variando conforme a época do ano.
Ben Tre
a duas horas de caminho, é a área menos visitada no Delta do Mekong, famosa pelas suas ilhas com coqueiros exuberantes. 
Tudo se aproveita do coco: o leite, fruta e casca.

Esperava-nos um barco, privado, e embora o sol não aparecesse, a chuva também não nos perturbou no passeio nas águas barrentas onde 
os barcos-com-olhos circulam, carregados.

Nas margens, casas-palafita 
e muitos, muitos cocos!

Chegámos à margem, à fábrica artesanal de tijolos

Os fornos são uma beleza, com uma arquitectura que lembra o Gótico! 

O combustível é casca de arroz que se espalha por cima dos tijolos de barro cru, antes da selagem, e a que se ateia o fogo. A cozedura é muito lenta, durante 30 a 45 dias, com uma semana para o arrefecimento, depois de destapado. 

As cinzas são utilizadas como fertilizante. Nada se desperdiça!
De novo no barco, o comandante mandou parar noutra ilha onde presenciámos a confecção dos rebuçados de coco.

Depois, a ilha onde assistimos a uma demonstração das canções locais, 
enquanto saboreávamos frutas e chá de mel.

Junto do Mercado Nhón Tanh, vimos as crianças, de bicicleta, que voltavam da escola. 

A pé, atravessámos algumas pequenas pontes 
para apreciar a feitura de tapetes de folha de cana.

O almoço esperava-nos mas, para chegar ao restaurante, o transporte também foi bastante artesanal: uma motorizada com um atrelado onde nos sentámos os três com o guia e o comandante do barco.
O almoço: 
peixe embrulhado com ervas em folha de arroz (que a empregada fazia, com destreza, em "rolls" que molhávamos nos molhos); gamba descascada com tempero (ao lado) de sal e lima; caril de galinha. E núóc-mam. Terminando com rodelas de abacaxi.

Nada como um passeio de barco a remos para fazer a digestão!

A Suzana ía à proa, de costas para mim e não me apercebi do pânico que estava a viver. Só mais tarde confessou que não teve, sequer, coragem para pegar na máquina fotográfica, com medo de cair nas águas barrentas! 
A verdade é que a nossa timoneira era muito cumprimentada 
e só depois percebi que era pela sua coragem e habilidade de, no pequeno barco, levar tantas pessoas! Ela parecia muito à vontade. Os canais são as estradas desta gente e as cenas que conseguimos fotografar são bem esse espelho: 
os pescadores que largam as redes; 

aquela mãe que foi buscar a sua filha lindíssima à escola.

Regressámos sãos e salvos 

e voltámos a jantar na "Casa Italia", na última noite em Ho Chi Minh.




* * * * *

16 comentários:

São Rosas disse...

E a garrafa de Núóc-mam, não se partiu na mala, durante a viagem de regresso?

Washington, Beth, Juli, Mateus e Victor Ribeiro disse...

Queridos Amigos Alfredo e Dayse:
Suas viagens são SIMPLESMENTE FANTÄSTICAS!!!!
A qualidade da fotografia, a riqueza dos textos, a forma como escrevem... É como estivéssemos lá também!!!
Obrigado por nos manterem informados destas maravilhas.
Estamos com Saudades.

Washington, Beth, Juli, Mateus e Victor Ribeiro

lili disse...

Meus queridos Amigos:

Mais uma vez adorei esta viagem.
Foi maravilhoso ver e saber tudo sobre este povo que tanto sofreu e a forma como descrevem dá-nos a sensação que também estamos lá!
Obrigada.
Um grande beijo.

LILI

cota13 disse...

Gostei.
ASSUNTO.
Tonito.

Teresa B disse...

Prefiro fazer estas viagens através das vossas reportagens...É que ninguém me apanhava dentro de um barco e num rio daqueles, nem que passasse fome os dias todos da visita!!!
Beijinhos aos dois

Romicas disse...

Que passeio lindíssimo e tão diferente do que é usual fazer (nós, simples mortais. Felizmente, tenho amigos queridos que me deixam viajar com eles e posso apreciar tais preciosidades. Gostei do crepe e da foto da menina que a mãe foi buscar...
Obrigada pela partilha, Alfredo e Daisy. Beijinhos para os dois.

RI-RI disse...

Recreio e aprendizagem de borla!
Que mais se pode pedir?
Obrigado e continuem.

Anónimo disse...


O Alfredo e a Dayse são 2 viajantes fantásticos...gostamos das fotos e da reportagem, parabéns.
Grande abraço Luís e Fatinha

Maria Julia disse...




FABULOSA viagem, acabei de fazer!

Lindo, tudo...já não falo mais da qualidade fotográfica e da da escrita, pois é dado adquirido.

Mas queria ter visto a Tartaruga gigante...e elas são assim prateadas?

Adorei. Beijinhos.

Juju

DOM RAFAEL O CASTELÃO disse...

Devagarinho percorri toda esta viajem!
Não me cansei.
Estou pronto para outra!

quito disse...

Tive hoje oportunidade de observar mais este maravilhosa incursão pelo desconhecido de muitos de nós. Creio que não há adjectivos suficientes para qualificar mais este brilhante documento escrito e fotografado. Gostei muito.
Bem - Hajam, ambos ...
Quito

ricjoa disse...

Alf & Daisy:
Parabéns pela reportagem e fotos (da Daisy, claro), só faltou mesmo dizer que sentiram falta dos companheiros habituais de viagem....
Beijinhos
Ric&Joa

Titá disse...

Regressei sã e salva de mais uma viagem. Adorei! Não sei o que seria de mim sem a vossa companhia...
Beijinhos aos dois

celeste maria disse...

Uma viagem de sonho!
Gostei de saber que foram os portugueses que levaram o alfabeto para o Vietname.
Descrição rica da Daisy, complementada com as fotografias lindas, dão-nos a noção de como aproveitaram a vossa viagem e agora nos oferecem como um presente!
Beijinhos, amigos e muita saúde.

olinda Rafael disse...

A ideia que tinha do Vietname era tão diferente do que aqui presenciei...
Fiquei deliciada com o que vi e li!
As motorizadas "afligiram-me"...
Olhem,mais um país que conheci à "vossa pala".
Obrigada,Amigos.

Anónimo disse...

Só hoje me apercebi de que podia novamente viajar convosco.Maravilhosa viagem a um país tão distante e de cultura tão marcante e diferente.Obrigada por este presente, continuem a deixar-nos viajar convosco.

Mais um beijinho aos dois. São Vaz