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terça-feira, 17 de setembro de 2013

ISLÂNDIA - ICELAND


REYKJAVIC, THINGVELLIR, FOGO E ÁGUA

29 de Maio a 31 de Maio 2013



Fizemos escala em Londres (Lisboa-Londres em  2h30min), com a TAP e, depois, com a ICELANDAIR até Reykjavic foram mais 3h. A Europa é grande!

Formada há cerca de 20 milhões de anos por uma série de erupções vulcânicas no Mid-Atlantic Ridge (Crista Oceânica do Atlântico, a cordilheira submarina que se estende sob os oceanos Atlântico e Ártico), a grande ilha tornou-se o território europeu situado mais a norte, Terra não só de Gelo (como diz o nome...)

mas também de Fogo 

e Água.

Os Islandeses gostam de ser chamados Filhos dos Vikings, que assolaram e ocuparam todo o território entre 800 e 1066 da nossa era. Uma das teorias de povoamento fala numa comunidade de monges e eremitas, provenientes da Escócia e da Irlanda, que poderão ter sido expulsos pelos Vikings. Mas o primeiro habitante permanente foi o norueguês Ingólfur Arnarson, 
que construiu uma quinta no local onde hoje está situada a capital, em 874 dC. Depois vieram outros, trazendo escravos irlandeses. O terreno cultivável não abundava. Com grandes vulcões cobertos por glaciares, havendo sempre alguns em actividade, as condições de sobrevivência não deveriam ser das melhores. Em 930 dC, altura da fundação do Althing, o primeiro parlamento  do Mundo, já toda a terra cultivável estava ocupada.
Entre 930 e 1262, o sistema político dos colonos, em clãs, foi incapaz de sobreviver à influência da Coroa Norueguesa. Em 1380, quando os reis da Dinamarca e da Noruega se uniram na Kalmar Union, os Islandeses ficaram sob a governação destes dois países. Em 1814, depois das Guerras Napoleónicas, a Dinamarca separou-se da Noruega, ficando a Islândia sob o domínio da Dinamarca de quem se tornou independente em 1944.
 A Ilha tem 103000 quilómetros quadrados, com cerca de 50% de deserto de lava e 11% de glaciares dos quais o Vatnajokull é o maior da Europa com 8300 quilómetros quadrados. As forças da Natureza construíram um país de profundos fiordes, grandes desertos vulcânicos, passando por praias de areia negra e montanhas cobertas de neve e nevoeiro onde habitam apenas 320000 pessoas das quais 2/3 residem na capital!
REYKJAVIC é a capital, a maior cidade do país e a mais setentrional do Mundo. Como cidade nasceu em 1786, duma associação de 302 habitantes, numa Baía Fumegante, de onde lhe deriva o nome.

A zona mais antiga, junto do porto, foi onde ficámos instalados, no "Foss Barón Hotel".
Tempo nublado, muito vento e frio. É difícil perceber que horas são porque o sol se põe bem tarde.
Saímos para a descoberta, a pé, junto à baía, até ao Solfar (o Viajante Solar), a belíssima escultura de Jón Ámason, uma" ode ao Sol, promessa de um território desconhecido, um sonho de Esperança, Progresso e Liberdade", segundo a memória descritiva do autor. As pessoas interagem com a escultura de uma maneira natural. 


Foi preciso esperar para fazer a fotografia.

A Harpa (Húsid Thitt), avista-se ao longe.

É o centro de Conferências e Concertos, uma volumetria estranha numa estrutura de aço e vidro de formas geométricas e cores diferentes. É obra do arquitecto Olafur Elliasson e proporciona interessantes planos para fotografia, no interior.

Na Laugavegur, a principal rua de compras, 

apetece fotografar tudo, desde as lojas elegantes de montras originais, 

bares e restaurantes, até às cancelas que transformam algumas zonas em troços pedonais. 

Uma ruazinha lateral desemboca num pequeno largo onde a Arte de Rua nos encheu de prazer.

De outra lateral, espreitava-nos a torre erecta da Hallgrimkirkja, convidando à visita. 

O seu nome deve-se ao poeta e clérigo Hallgrímur Péturson (1614-1674). Arrojada, a sua torre tem 74,5m de altura. Obra do arquitecto Gudjón Samúelsson, levou 38 anos a ser construída. Em frente, a estátua do explorador Leif Eriksson, de Alexander Stirling Calder, oferecida pelos Americanos na comemoração do milénio do Althing, em 1930. O interior da igreja é muito austero, mas o órgão, construído por Johannes Klaus (alemão de Bona), mereceu foto. 

Tem um piso de observação, pago, a que se acede de elevador e proporciona uma visão de 360 graus mostrando a cidade plana, de casas baixas e coloridas.

Tivemos outra visão da cidade, no último dia da viagem, quando subimos ao Pearlan, na colina Osjunlid com 257m. 

Este edifício é formado por seis tanques cilíndricos que, em 1991, foram cobertos por uma estrutura hemisférica, transformando-se em 10000 metros cúbicos de espaço de exibição, na cave, conhecido por Jardim de Inverno, onde se realizam concertos de artistas islandeses. À porta, a escultura "Dansleikur" de Thorbjorg Gudrún Pálsdóttir. 

Do 4º piso, identificámos a Kópavogskirkja 

e outra perspectiva da Hallsgrímskirkja.

Ao lado do "Foss Barón Hotel", o NYLO

The Living Art Museum e, muito perto, Hofdi

a mansão construída em 1909 inicialmente para o cônsul francês Jean-Paul Brillouin e que depois foi residência do poeta Einar Benediktsson por vários anos, mas ficou mais conhecida por ter sido o local onde foi assinado o fim da Guerra Fria, no encontro de Ronald Reagan pelos USA e Mikhail Gorbachev pela União Soviética, o Reykjavic Summit.

Apesar das 23h, o dia não findava! 
Fotografia tirada às 23h
E as cortinas da janela do hotel não ajudaram a criar o ambiente desejado para um sono tranquilo!...
No dia seguinte, começou a nossa viagem à volta da ilha, pela estrada principal, a Um, Golden Circle.
Reservada pela net, carro e hotéis. A época turística inicia-se a 1 de Junho porque , no Inverno, a maioria das estradas está intransitável.
Demorámos bastante tempo na agência de viagens, porque as recomendações e indicações são muitas.

Com o GPS para THINGVELLIR

Património da Humanidade da UNESCO desde 2004, arrancámos para o local onde foi fundado o mais antigo Parlamento do Mundo, o Althing (930 dC), começando a fotografar a paisagem.



À chegada, a partir do Tourist Center, caminhámos pela Almannagjá, a falha geológica 
que separa 2,5cm por ano a América da Europa. É um vale ladeado por altas muralhas basálticas que arrepia. A turfa, de um verde acastanhado, debrua-lhe a base, podendo esconder algumas fendas!...
Ao fundo, uma espécie de miradouro onde flutua a bandeira do País: é o Logberg
de onde o orador falava para a Assembleia de chefes de clã (Althing). As condições acústicas são excelentes. Althing está representado por um círculo relvado junto da igrejinha e do museu.

O lago, Thingvallavath, empresta uma beleza singular ao local, ao lado,

bem como a cascata a despenhar-se da pedra escura.

E aquela pedra, em equilíbrio instável, mostra a fragilidade da Humanidade.


KERID foi o destino seguinte.
A paisagem muda constantemente. 
E a metereologia também. 
Aparecem os primeiros cavalos, que são calculados em cerca de 80 000 na ilha.

A belíssima cratera, 
com 55m de profundidade, de águas de cor esmeralda, tem 3000 anos de idade e um diâmetro de 270m. A falta de sol fez ressaltar as fantásticas cores das encostas. Em Dezembro de 2011, a cantora Bjork deu um concerto, num barco, no meio do lago.

A chuva começou a cair com força, a fome apertava e improvisou-se um almoço numa bomba de gasolina onde os empregados do pequeno supermercado nos disponibilizaram uma mesa e ainda nos ofereceram café.
Enquanto fazíamos os 40km que nos separavam da ÁREA GEOTERMAL DE GEYSIR, a chuva abrandou, tornando-se num chuvisco chato e impedindo o sol de aparecer.
No Vale Haukadalur, 
zona mencionada pela primeira vez em 1294, quando o vale foi sujeito a uma série de sismos e uma erupção do Heckla, está um extenso campo de fontes de água a ferver. 
Mas o astro principal é Strokkur,
o géiser que de 10 em 10 ou de 15 em 15 minutos explode a uma altura de cerca de 30m. Adormecido durante alguns séculos, a 17 de Junho de 2000 despertou devido a uma série de sismos no sul da Islândia.
GULFOSS 
fica a cerca de 20 minutos de estrada boa e acessível. Significa Quedas Douradas e despenham-se num longo e estreito canyon de uma altura de 32m.
A energia é grande e diz a história que só não foi transformada em hidro-eléctrica de investimento estrangeiro porque a jovem Sigridur Tómasdóttir ameaçou atirar-se às cataratas se o projecto fosse para a frente. Hoje, é um ícone nacional.

Jantámos no hotel onde iríamos dormir, 
o "Heckla Hotel", 
simpático, com pedrinhas pintadas nos cantos mais inusitados.

Às 11h da noite, o sol ainda estava alto: 
Foto tirada às 23h
mais uma noite a tentar tapar bem as janelas!...
Nos pequenos-almoços, descobri o skyr, um iogurte espesso, ligeiramente azedo e com pouca gordura. Misturo-o nos cereais , com um pouco de leite.
O dia continua cinzento, o terreno é plano e as quintinhas sucedem-se.

Depois, a montanha pedregosa e a grande cascata a despenhar-se. 

Muito vento e chuva miudinha, mas o local é propício à meditação,
com campo verde e bancos de madeira: é a SELJALANDSFOSS
que se precipita do rio Seljalandsa, num desfiladeiro de 40m de altura. 

Se o tempo ajudasse, poderia passar por trás da cortina de água, 
mas o vento e o frio, não convidava!
No caminho, as Foss à sidú, esfumavam-se no ar, por causa da ventania!

Rútshellir 
é uma das centenas de grutas feitas pelos homens que se podem encontrar no sul da Islândia. Servem de palheiros, para guardar o feno e, esta, tem um local de maior profundidade que se supõe ter sido uma forja. Encontrámo-la a caminho da SKÓGARFOSS
a cascata de 60m que se despenha da montanha Eyjafjoll de onde brotou o tristemente célebre EYJAFJALLAJOKULL 
que tantos transtornos aéreos provocou na Europa e na América, com as suas cinzas, em Março e Abril de 2010. O nome de difícil pronúncia , significa: eyja=ilha; fjalla=montanha; jokull=glaciar.
Os vulcões, na Islândia, estão cobertos por glaciares. Depois de 200 anos adormecido, o Eyjafjallajokul rebentou a camada de gelo,

inundou as terras próximas, destruiu pontes e habitações 

e emitiu para a atmosfera as partículas de cinza que escureceram o céu até muitos quilómetros de distância. E é um dos mais pequenos glaciares, de 100 quilómetros quadrados!... A montanha, de 1666m, pode ser vista em alguns quilómetros da Estrada 1 e do alto da Skógarfoss.


Espera-nos outra odisseia...


* * *

14 comentários:

São Rosas disse...

Maravilha!...
E nem apanhei qualquer humidade...
Aquela torre da Hallgrimkirkja ficaria bem na minha colecção.

Diamantino Santos disse...

Já viajei convosco sem me levantar da cadeira... e fiquei a conhecer um pouco mais da Terra do Fogo! Gostei da forma como está descrito e fico à espera do resto.
Um abraço

cota13 disse...

GOSTEI.
Grandes Fotos.
Tonito

zé manel disse...

Obrigado por me teres proporcionado esta viagem fantástica.
As fotos são lindíssimas!
Parabéns!
abrs e bjs para ti e Daisy.

Jotta Leitao disse...

Excelente! Obrigado caros amigos. Mais uma "viagem" com...fotografias de rara beleza...e uma narrativa muito bem elaborada! Abraço´s

Jotta Leitao disse...

Só pessoas lindas...partilham as suas viagens à volta do Mundo. Obrigado.

celeste maria disse...

Amigos, que mais dizer?
Partilha, beleza, cultura...
Fotos às 23 horas!!!
Obrigada e continuem por mais uns anos e, que nós vejamos.

Grande abraço.

Isabel Costa disse...

Revi algumas...pois tive o privilégio de as ver quase todinhas e documentadas ao vivo :)
Algumas verdadeiramente espectaculares.
Bjs

Belinha

lili disse...

Mais uma viagem maravilhosa!
Só posso agradecer este privilégio de estar sentada confortavelmente a observar e a aprender mais sobre o mundo que nos rodeia.

Obrigada pela partilha.
Um beijo
Lili

Odete Tavares disse...

Lindissimo! Bem haja quem visite estes países e ainda por cima os partilhe. Sim, porque, eu não irei passar por estas paragens de certeza...
Beijinhos!
Odete

DOM RAFAEL O CASTELÃO disse...

Também já viajei! E apreciei!

São Vaz disse...

Obrigada por mais esta partilha de viagem .Continuem a deliciar-nos,beijinhos.

Titá disse...

Depois de bem instalada iniciei mais uma viagem. À medida que as imagens iam passando comecei a ter uma sensação de "déjà vu". Dei voltas e voltas à cabeça para perceber a razão. Até que percebi. Fiz esta viagem com vocês e as explicações ao vivo da Daisy. E em Quiaios, imagine-se!
Já dessa vez fiquei maravilhada, sobretudo porque não tem nada a ver com o que eu imaginava.
Obrigada e beijinhos aos dois.

olinda Rafael disse...

Que esplendor!
Tanto gostaria de conhecer este país...
Encantada.