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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CHINA - Kunming - Dali - Xizhou


KUNMING - DALI - XIZHOU

11,12,13 Setembro 2011


Foi num voo interno de duas horas e meia, com muito atraso, que chegámos a KUNMING, capital da Província de Yunnan, com cerca de 8,5 milhões de habitantes, acima de 2.000 metros de altitude, no meio de um lago
cujas águas foram, aos poucos, ocupadas por construções. A poluição é muita e fazem culturas de algas para a purificação do lago.
O nosso guia é o "Doyle", com ar de estudante aplicado, muito míope, muito falador, em inglês.
Visitámos a Western Hill, subindo
por caminho serpenteante, na floresta, com precipícios de onde se avista a cidade, encontrando muita gente a pé, em peregrinação de muitos quilómetros e muitas escadas até à Dragon Gate,
numa espécie de história de vida.
O templo está escavado na montanha,
à semelhança dos de Mianshan. E a história de vida começa na base do templo,
onde somos pequeninos. Crescemos e espera-nos o trabalho árduo,
mas também o deus da riqueza ao cimo dos degraus.
E a vida continua.
Os túneis escavados na montanha
foram iniciados no séc. XVIII por trabalhadores suspensos em cordas e presos às rochas, sob a orientação do monge Wu Laiging, demorando 70 anos a completar. É um templo taoista.
A Grande Porta do Dragão alcança-se a 2.500 metros de altitude.


A cerca de hora e meia e alguns quilómetros de distância por uma boa auto-estrada, está Shilin, o local de uma das Maravilhas Naturais da Humanidade: a Floresta de Pedra.
Aqui é a terra dos Sani,
um dos muitos subgrupos da minoria Yi.
A maioria trabalha na floresta, servindo de guias e conduzindo os pequenos carrinhos abertos que transportam os turistas. Só vimos mulheres.
Almoçámos
num pequeno restaurante, dentro do parque, um menú delicioso, escolhido pelo Doyle e, desta vez, até a Suzana gostou.
A zona de Shi Lin e esta belíssima floresta de pedra estiveram debaixo de água há milhões de anos.
As águas recuaram e os depósitos de calcário continuaram a sofrer erosões pelos ventos e águas da chuva, esculpindo as belas figuras que podemos admirar agora.
Algumas têm mais de 30 metros de altura. As suas formas dão aso a que a nossa imaginação descubra um "Moai da Ilha da Páscoa",
uma "tartaruga no cimo de um penhasco",
o "rasto de uma espada cortante"...
Ao longe, no cimo de uma colina, por trás das formações, Wangfeng Ting, o Pavilhão do Miradouro do Pico.
Os turistas locais param para nos tirar fotografias e pedem para tirar fotografias connosco.
O belo Lago de Lotus,
com o pavilhão colorido e as pedras que se assemelham às flores de lótus, abertas e fechadas, marca o final do passeio.
Pagámos 200 yuans pelo carrinho conduzido pela bela sani.
O jantar foi num restaurante local, em Kunming.

No dia seguinte, voámos para DALI, num voo de cerca de hora e meia.
Dali é a antiga capital da Província de Nanzhao e já foi um reino há cerca de 1.300 anos. É o centro da minoria Bai,
empurrados para aqui pela invasão mongol no séc. XIII. Seguem o Budismo Theravada (o mais comum na China é o Budismo Mahayana).
São, fundamentalmente, agricultores de tabaco e, hoje em dia, muitos já vivem do turismo. Têm língua e caligrafia próprias. "Bai" significa "branco" e nas casas da cidade
é essa a cor que predomina.
A Yang é a nossa guia, de aspecto frágil, com o seu pequeno guarda-sol sempre aberto.
Ofereceu um bolo da lua a cada um de nós porque estamos na época da Festa da Lua.
O hotel, o "Regent Hotel", é um 5 estrelas de arquitectura local.
A cidade fica na margem de um grande lago, Er Hai ("Lago da Orelha", porque tem o formato de uma orelha...), circundada por altas montanhas cujo pico mais alto tem 3.000 metros de altitude.
Almoçámos na cidade velha, na chamada
Rua dos Estrangeiros,
ladeada por restaurantes abertos. E foi aí que encontrámos os poucos ocidentais
que nos acompanharam no avião, todos australianos. É um bom local para fotografar locais... e para ser fotografados por eles.

O símbolo de Dali é o Complexo dos Três Pagodes
ou San Tan,
fazendo parte do mosteiro de Chongwen Si construido na dinastia Qing. O maior dos pagodes, Qian Xun Ta, de base quadrada e 16 beirais, tem 70 metros de altura e foi construído no ano 800 d.C.. No sismo de 1979 ficou muito danificado mas foi completamente recuperado em 3 dias (!!!). Os mais pequenos estão nitidamente inclinados, quais torres de Pisa.
Têm 42 metros de altura e foram construídos no séc. XI. Os caracteres, na fachada do maior, significam: "Domina para sempre as montanhas e os rios".
Depois dos pagodes, e separados por pátios, estão a Torre de Hong Kong
(que marca a passagem desta cidade para a China em 1998 e tem 19,98 metros de altura) e o Templo de Macau
(mais imponente, com deusas douradas).
No pátio, o incensário.
Depois do Templo de Macau, estende-se uma área enorme de três quilómetros, reprodução da Cidade Proibida, que nos dispensámos de percorrer porque já conhecemos a original.

A meio da tarde, estávamos em frente à Porta Sul
para fazer a visita da Cidade Velha, calmamente, a pé.
Percorremos a Fuxing Lu, em direcção a norte.
Casas baixinhas, de telhados de beirais,
janelas de madeira e grandes portadas onde estão as lojas coloridas com artesanato.
Passando a Porta do Meio,
estamos no centro da Cidade Velha de Dali,
onde chega a água da fonte da montanha
e onde o povo gosta de tirar a foto, debaixo do arco.
Jantámos
na Rua dos Estranjeiros.
 
Na manhã seguinte, já tínhamos a Yang à nossa espera na sala do pequeno-almoço.
Meia hora depois
estávamos em XIZHOU ("País da Felicidade"), também na margem do Lago Er Hai. Já foi uma cidade muito importante e rica,
vivendo do comércio do chá que transportavam para o Tibete. Organizavam-se em caravanas e percorriam 1.200 quilómetros até ao Tibete, a cavalo, durante três meses, deixando as famílias e os bens guardados por outros que fariam a caravana seguinte. Eram como uma grande família e protegiam-se entre si dos ladrões. Durante a II Guerra Mundial, armaram o Exército Nacional contra os japoneses. Na Revolução Cultural, fugiram para os países vizinhos (Tailândia, Laos e Vietname), abandonando as suas casas que foram ocupadas por famílias pobres e se foram degradando.
Em 1980, a China abriu-se para o Ocidente, as pessoas começaram a poder ter o seu próprio negócio e alguns voltaram.
Hoje, é dia de mercado.
Os legumes abundam e alguns são bem diferentes dos nossos.

Os ovos de cinza,
uma preciosidade que cozem na cinza, muito lentamente e se conservam durante muito tempo, os peixes vivos
e outras coisas estranhas estão ali, para a nossa admiração e à espera de comprador.
Dos trajes das mulheres Bai, que têm vários subgrupos, sobressaem os chapéus!
Depois da visita à fábrica dos bordados de seda,
almoçámos numa casa típica,
com um portão imponente,
toda murada.
Foi-nos servido um "almoço de casamento", com muitos pratos,
no alpendre do pátio. Sobrou muito, como é de boa educação e de bom anfitrião, sinal de que a comida foi suficiente.
Despedimo-nos da simpática Yang que prometeu visitar-nos em Portugal e seguimos de carro até Lijiang, atravessando paisagens belíssimas.




14 comentários:

São Rosas disse...

Em chinês da Beira Baixa, bem hajam!

Emiliana Brandão disse...

Você e suas viagens, vivendo intensamente e saborosamente cada pequeno pedaço, cada pequena história.... de um lugar para o outro ao sabor do vento!!!!

Anónimo disse...

Como sempre, reportagem fantástica, parabens.

Luís e Fátinha

Maria Julia disse...

Só encantamentos!!!

Tudo belo - locais, fotos e descrições.

Vocês não têm mesmo vertigens...

Parabéns Alf e Daisy.

Beijinhos.

Juju.

RI-RI disse...

Espectáculo!

Paula Raposo disse...

Fantásticos lugares e fantásticas fotos. Parabéns! (com uma pontinha de inveja...)

Emiliana Brandão disse...

‎...eu fico com uma pontinha enorme de inveja.

lili disse...

Maravilhosa reportagem,lindas fotos, bom texto!
Obrigada mais uma vez por todos os ensinamentos e pelos deliciosos momentos de prazer que me proporcionam com as descrições das vossas viagens.
Um abraço
LILI

Saint-Clair Mello disse...

Alfredo,só agora pude acompanhá-los nas duas últimas postagens-viagens. Cada uma mais bela que a outra. Sua lente caprichosa capta ângulos e cores marcantes. Parabéns mais uma vez!

Washington, Beth, Ju e Victor disse...

Queridos Alfredo e Daisy:

Ficamos maravilhados com mais esta viagem fantástica que fizeram.
Com a beleza das fotografias e a riqueza da descrição dos lugares,nos sentimos lá com vocês.

Obrigado por nos presentear com tamanha beleza.

Um abraço grande dos amigos saudosos:

Washington, Beth, Ju e Victor.

São e Quito disse...

Mais uma vez, a Daisy e o Alfredo, fazem chegar até aos amigos, fotos de inigualavel beleza e qualidade. É uma extraordinária viagem pela nossa visão e pelos nossos sentidos.A par das fotografias, uma descrição pormenorizada do que nos é dado ver. Uma vertente didática, que dá a todo o contexto, um valor inestimavel.
Obrigado Daisy. Obrigado Alfredo."
Os amigos
São e Quito

olinda Rafael disse...

E que bom saborear mais esta "rodada" de uma viagem espectacular... Beijos para vós!

cota13 disse...

ASSUNTO.
Obrigado, Meninos.
Tonito.

Maria Carmo Abreu disse...

Tenho-me deliciado, como sempre, com as vossas viagens! Felizardos… e inteligentes nas escolhas! E felizardos nós, que pelo menos podemos ver tanta coisa maravilhosa e desconhecida… Sou uma sedentária!!! Beijos para a Daisy e para ti