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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O LAGO TITICACA

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LAGO TITICACA - PERÚ / BOLÍVIA
Junho 2005



Almoçávamos no restaurante do hotel "Inkaterra", depois da visita de Machu-Pichu, com a nossa guia Maria, quando o empregado nos disse que o representante da "Enjoy Perú" estava ao telefone e pretendia falar-nos. Dava-nos conta de distúrbios políticos em La Paz, com estrada interrompida entre Copacabana e La Paz. Para nossa segurança, desaconselhavam a viagem a La Paz, no dia seguinte, e propunham um novo roteiro para os dois dias.

LA PAZ estava nos nossos planos por ser uma bela cidade de arquitectura colonial, mas... também não nos agradava a insegurança de nos ver envolvidos em manifestações políticas de que não descrutinávamos as consequências.

Regressámos a Cusco de comboio e, no dia seguinte, ainda dentro do nosso programa inicial, partimos para Puno, de autocarro.

A viagem foi bastante atribulada. Talvez para o próximo episódio, dê para contar...

Puno é a cidade peruana mais próxima do lago Titicaca, a sudeste do país.

Ficámos alojados no hotel "Eco Inn", com vista para o lago, nas suas margens, onde descansámos até às seis horas da manhã.

Em Yunguyo, deveríamos atravessar o arco que marca a fronteira, em direcção a Copacabana, em cujo porto estaria o barco que nos levaria à Ilha do Sol.


O Arco da Fronteira Perú / Bolívia



Mas a entrada estava bloqueada por grandes pedregulhos e, por isso, o acesso à Ilha do Sol estava dificultada.

Depois dos vistos nos passaportes, num casinhoto precário, voltámos ao pequeno autocarro que nos levou, por terra batida, até a um "porto" improvisado, de onde um pequeno barco nos levou, com as bagagens aos trambolhões, até ao catamaran.



Do "porto" até ao catamaran.


O Lago Titicaca, com 8,372 quilómetros quadrados, a 3,827 metros de altitude, é o lago navegável mais alto do mundo. No altiplano dos Andes, pertence ao Perú e à Bolívia

Neve na Cordilheira Real com Ilha da Lua à frente

É alimentado por 25 rios, pelas águas das chuvas e pelo degelo das neves das montanhas que rodeiam o altiplano






É fonte de um rio, o Desaguero, que corre para o sul da Bolívia.

A ILHA DO SOL é a maior ilha do LAGO TITICACA e encontra-se do lado boliviano. Aqui, a cultura é tiwanaco, 100 a 200 anos antes de Cristo e a língua que se fala, hoje é aymara.


A Daisy já se encontra no barco!



Marinheiros vestidos a rigor.


As carrancas dos barcos de totora.


O catamaran e os barcos de totora.

Do catamaran até à ilha, um barco de totora, com marinheiros vistosamente engalanados, levou-nos até à ilha, onde desembarcámos junto da Fonte da Juventude, com as suas três bicas, que simbolizam os três princípios incas:

- Ama k'ella (Não sejas preguiçoso);
- Ama Llulla (Não sejas mentiroso);
- Ama Sua (Não sejas ladrão).



Fonte da Juventude e a subida de 200 degraus.


Depois de uma subida de 200 degraus, fizemos uma caminhada, tomando contacto com a flora da região, nos Terraços de Pachamma, com plantas medicinais e comestíveis. Uma delas é a munã, que o Alf anda sempre a cheirar, porque lhe tira as dores de cabeça devidas à altitude.

Visitámos um pequeno museu (Museu Subterrâneo Ekako), onde tomámos conhecimento da história e cultura da ilha.
O Museu.

Vimos esculturas (ekako) semelhantes aos Moai da Ilha da Páscoa, mas em ponto mais pequeno.



Escultura exposta no Museu

Os barcos típicos são as balsas de totora, que é uma erva (uma espécie de junco) que cresce no lago e que também se encontra na cratera do vulcão Rano Raraku, também na Ilha da Páscoa.

O barco e o homem do leme!


Os barcos são seguros e bastante estáveis.

As tumbas funerárias da civilização tiawanaco, eram torres com uma abertura virada para nascente. Os corpos eram preparados e envolvidos numa espécie de esteira, em posição fetal, mas com o rosto visível, virado para o deus Sol.

Fomos subindo a apreciando e apreciando a paisagem, com as águas azuis do lago, lá em baixo, os pequenos barcos à vela e o grande barco de totora que nos trouxe ao cais da ilha.

O barco que nos transportou


Os pequenos barcos de pesca.


A Marina



Perdido no meio do lago!


Toda a paisagem é bela!

Esperava-nos uma cerimónia em que um sacerdote que, queimando algumas ervas, nos fez uma prece para desejar uma boa viagem

Um altar improvisado.



A Cerimónia.

Ao fundo, a Cordilheira Real com seus picos nevados, e a Ilha da Lua.

A Ilha da Lua ou Koati, era onde viviam as mulheres escolhidas. Apenas os homens da realeza as podiam visitar, para além das sacerdotisas que iam assistir os rituais do Templo da Lua.

Descemos ao catamaran, onde almocámos. Depois, um barco a remos levou-nos ao outro lado da ilha, em cerca de meia hora.

A descida

Muito calmamente, por causa da altitude, com o guia falando sobre a história e as lendas da Ilha. Foi à Ilha do Sol que Manco Capac e Mama Ocllo chegaram, enviados pelo deus Sol, dando origem à Civilização Inca que dominou entre os séculos XII e XVI.

A ilha tem 3000 habitantes, três escolas, mas nenhum médico ou enfermeiro. Usam a medicina tradicional, baseada nas ervas e em conhecimentos que foram passando de pais para filhos.

Os caminhos são estreitos e, aqui e ali, vêem-se rebanhos e alguns porcos e burros.

Descemos até Jallapampa, fotografando a baía e as tonalidades quentes provocadas pelo sol que ia baixando.








O outro lado da ilha

Jantámos muito bem, no catamaran. Fomos surpreendidos (seria?) por um grupo de locais que nos brindaram com música e duas danças andinas muito simples, mas bem coloridas.



Os músicos e bailarinos

O camarote é acanhado e o sono foi de difícil conciliação.
De manhã, fizemos o transbordo para outro catamaran, onde nos foi servido o pequeno-almoço, enquanto nos dirigíamos ao porto improvisado de Yunguyo, onde chegámos em cerca de meia hora.
Os problemas em Copacabana continuavam e os guias tentavam convencer as pessoas a desistir da ida a LA PAZ e fazer o mesmo circuito que nós. Os alemães eram os mais persistentes: queriam manter o que tinham pago.
Kléber, o guia peruano que nos esperava, acabou por lhes dizer que a agência não se responsabilizava pelo que lhes pudesse acontecar e que, se persistissem, seria por conta e risco deles próprios.

Tudo isto foi atrazando os nossos planos. Ali tão perto, não podiamos deixar de visitar as ILHAS FLUTUANTES, que não estavam na alteração proposta pela agência. Mas Puno, tinha pouco interesse turístico além do lago... e tinhamos toda a tarde.
Com dois telefonemas, o Kléber arranjou-nos o tour.
No trajecto, fizemos um desvio para visitar Pomata (S.Tiago de Pomata) que quer dizer "Cidade do Puma".


A Porta da entrada principal


A igreja, de arquitectura mestiça (aymara e espanhola), do século XVIII, é dedicada a S. Tiago e tem umas belas janelas de alabastro que deixam passar a luz. O altar é barroco mestiço revestido a ouro. A porta de entrada é um trabalho riquíssimo com motivos da fauna e flora locais.


A cúpula rendilhada e as janelas de alabastro



O Púlpito dourado


Porta de entrada lateral

O cruzeiro de alabastro sobressai, fora.


O Cruzeiro de alabastro

Era dia de festa e as gentes estavam vestidas com roupas muito coloridas.



As meninas!



E os meninos!


Fomos, depois, direitos ao porto de Puno. Fizemos um almoço ligeiro com coisas que comprámos nas bancas, servindo-nos de buffet improvisado no pequeno barco que nos aguardava.
Tínhamos que nos apressar porque, a partir das 15 horas, nenhum barco de turistas era autorizado a dirigir-se às ilhas.
A maior profundidade do lago é de 280 m, mas as ilhas encontram-se em locais de dez a vinte metros de profundidade.
Em cerca de cinco minutos, chegámos lá.
É um espectáculo singular.


Já se começavam a ver as ilhas

Não há, no mundo, nada igual.

Estávamos a chegar à primeira ilha
As ilhas visitáveis pelos turistas, são apenas vinte, mas existem mais quarenta e cinco a cerca de três quartos de hora destas.







As ILHAS têm cerca de dois metros de espessura de totora. A totora cresce no lago e é utilizada para comer, para construir os barcos e as casas, e para manter a própria ilha a flutuar.

Barco de totora

As casas que podem ser alugadas pelos turistas.



Vista do miradouro, a Daisy em cima da ilha


Cada seis semanas, têm de acrescentar outra camada, porque a que está em contacto com a água apodrece.
Antigamente utilizavam essa parte para substituir a terra e fazer algumas culturas, como a batata. Hoje em dia, vão a terra firme vender o peixe, os ovos das aves e compram o que necessitam.

Venda de artesanato
Têm escola primária nas próprias ilhas, vindo os professores de Puno, em barcos a remos.
Também se vêem crianças "a caminho" da escola, remando em pequenos barcos.


A escola e o "hotel"


Crianças no recreio

O governo pôs baterias solares em algumas ilhas e, assim, têm telefone e electricidade

Telefone público nacional e internacional


Esta comunidade independente, como um Estado, chama-se LOS UROS e tem uma cultura própria. Actualmente, a língua já não é a antiga, mas aymara. Mas a sua cultura manteve-se, não tendo integrado nem a cultura inca nem a espanhola

Mulheres conversando

As mulheres nunca abandonam as ilhas.
Os homens pescam e vão ao continente vender o seu pescado, os ovos das aves marinhas e as próprias aves, trazendo o que mais precisam.




Só vimos mulheres e crianças



Miradouro



Mulher tecendo



Venda de artesanato



Barcos com redes de pesca


Algumas das ilhas alugam casas aos turistas que lá queiram dormir, muito asseadas e enfeitadas com tapeçarias coloridas.

Sentados na cama do quarto do hotel


À porta do quarto do hotel

A sensação de pisar o chão flutuante, é única.




No pequeno barco, circundámos outras ilhas flutuantes.


E, depois, afastámo-nos em direcção a Puno.
Para trás, ficaram as ILHAS FLUTUANTES.