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quinta-feira, 15 de março de 2012

NORUEGA - TROMSO

À PROCURA DA AURORA BOREAL

18, 19, 20 e 21 Fevereiro 2012


O avião para Oslo saiu à hora e chegámos às 18.10h (é mais uma hora do que em Lisboa), com chuva e muito gelo nas bermas dos caminhos. O "Park Inn Oslo Airport" é mesmo ali a 150 metros e lá entrámos, arrastando as malas e equilibrando-nos para não escorregar. Noite cerrada, claro.
Jantámos no hotel. Nada de especial, muito igual ao comum dos hotéis.
O voo para Tromso, no dia seguinte, era muito cedo e às 6.45h já estávamos a tomar o pequeno-almoço de malas aviadas que arrastámos, de novo, de regresso ao aeroporto para o voo de duas horas. A Suzana só ia no seguinte, mas acompanhou-nos e esperou no aeroporto.

TROMSO
é a 8ª maior cidade da Noruega. É chamada Gateway to the Artic que é como quem diz o Portão para o Ártico. Foi fundada em 1794 e desde 1850 que é centro de pescadores baleeiros
e outras actividades baseadas no oceano.

Aqui nasceu Roald Amundsen,
explorador que primeiro liderou uma expedição ao polo sul em trenós puxados por cães (1911-1912).

Ficámos muito bem instalados no
"Rica Ishavshothotel",

mesmo à beira da água,
onde chegámos de taxi (muito caro). Em frente, do outro lado, a Artic Cathedral


e o casario na base da montanha com o teleférico.

A Suzana chegou cerca de hora e meia depois.
A neve caía, impiedosa. Mas ficar no hotel, é que não!
A paisagem é diferente, parecendo tudo muito a preto-e-branco.

Não faltam motivos para fotografar por trás da cortina de neve. Os bares vermelhos,


entre eles o Rorbua Pub, o mais famoso bar da Noruega,
de onde é transmitido, todas as quartas-feiras, um dos mais populares talk show da televisão que se poderá traduzir como "Você já ouviu falar muito", nesta casa de pescador, de madeira.

O quiosque com os bancos de jardim mergulhados na neve,

sobressaem ao lado do turismo.

Comemos uma magnífica pizza ao lado do "Rorbua".
A pé, ainda muito pouco ambientados, seguimos a linha de água. Para evitar alguma queda, comprámos uns pitons metálicos, que se aplicam ao calçado, quando necessário.
O Polaria é o aquário mais a norte do Mundo.


A arquitectura assemelha-se a grandes peças de dominó a cair. O simbolismo é o de blocos de gelo empurrados pelos fortes mares do Ártico. É um pequeno aquário, no interior. Assistimos ao espectáculo diário, às 15.30h, da alimentação das focas.


Quando saímos, a luz já era pouca.
As ruas do centro, branquinhas, deixam ver as casas coloridas, já sombreadas, os telhados pesados de branco. As luzes amarelas das montras iluminadas, emprestam-lhe algum calor.

A velha Catedral luterana ergue o seu pináculo para o céu cinzento e a madonna, à frente,
só se adivinha, despida. É a mais setentrional do Mundo, data de 1861, e é a única igreja em madeira da Noruega.

A primeira busca da Aurora boreal foi contratada na hora, no lobby do hotel.
Saímos do nosso hotel num autocarro cheio e, depois de cerca de hora e meia de caminho, assentámos arraiais na ilha Kvaloya. Havia dois guias, com experiência e com conhecimentos de fotografia e foram ajudando as pessoas com as máquinas fotográficas.
A aurora boreal é um fenómeno que ocorre quando ventos vindos do sol são mais potentes do que o habitual, com grandes cargas eléctricas que arrastam partículas (electrões) para a Terra, colidindo com a atmosfera terrestre. São explosões solares que chegam ao nosso planeta cerca de seis anos depois.
Aqui, chamam-lhe "The Northern Lights", Luzes do Norte. Para ver as luzes, é necessário céu limpo, muito estrelado... e muita paciência. Dividimo-nos em dois grupos: nós ficámos junto ao autocarro e outro grupo, maior, foi com outro guia até à praia.
Estava muito escuro e muito frio. Com o cenário montado, tripés enterrados na neve, esperámos. A impaciência cria um certo desânimo. O céu não abria. O guia ia criando algumas expectativas: "Já se vêem algumas estrelas e há um certo movimento magnético...". Mas voltou a fechar. E, quando nos preparávamos para mudar de local, surgiu a esperança e a precipitação, de novo, com os tripés e as máquinas para o exterior. E, então, aconteceu! As Luzes surgiram, nas nossas costas, com uma luminosidade e intensidade espectaculares,

numa dança de amarelos, vermelhos e verdes. Lindo!

As máquinas não estavam preparadas para tanta luz. Reduzimos o tempo de exposição.
As Luzes dançavam à nossa volta e acabaram à nossa frente, com menos intensidade num baile com predomínio de verdes.

Não se dá conta do tempo (10 minutos? Um quarto de hora?). As pessoas deslumbram-se e ouvem-se "Ahhh!...", "Beautifull!...".

É muito difícil transmitir a sensação!


Um chocolate quente e umas bolachinhas crocantes, aqueceram-nos o corpo.

No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço espectacular (a maior oferta que tenho visto em hotéis!...), saímos para os dois graus negativos que, segundo a informação meteorológica "parecem 7 negativos".

Não me perguntem o que isto quer dizer... Está muito frio!!!
Contornámos o hotel, fotografámos o cais,


apanhámos o autocarro 26 e comprámos um bilhete válido por uma hora, por 28 coroas.
Depois da ponte,

descemos para visitar a Artic Cathedral,

do arquitecto Jan Inga Hovig, arquitectura "baseada na Natureza", como grandes blocos de gelo sobrepostos (também como peças de dominó, como no Polaria). Por 35 coroas, entrei, ouvi órgão tocado ao vivo
e pude fotografar à vontade o interior simples, austero e muito branco. Sobressai, no altar, o grande vitral de Victor Sparre, "o Regresso de Cristo".
A catedral foi inaugurada em 1965.

De novo de autocarro,
com o mesmo bilhete, fomos até ao teleférico Seilbahn e subimos o monte Storsteinen,
a 421 metros, para usufruir de uma fantástica vista sobre Tromso. Lá está o Polaria,
o nosso hotel,
o City Hall.
E, do lado de cá, a Artic Cathedral.
As casinhas minúsculas, as montanhas branquinhas de neve... e os pontos iluminados pelo sol.
O frio e o vento cortante levaram-nos para um cafézinho, no quentinho do bar.
Retornámos no 26, fizemos uma refeição ligeira num bar, no centro, e percorremos as ruas geladas.

Às 18.15h estávamos no "Radisson Blu hotel", em frente ao nosso, para seguir para o Tromso Wilderness Centre, de novo em busca da aurora, desta vez num passeio de trenó puxado por cães. Pretende-se demonstrar como se deslocam as pessoas do povo Sami que vivem numa vasta área que contém as regiões hoje conhecidas como o norte da Noruega, Suécia, Finlândia e Península Kola russa. É internacionalmente conhecida por Lapónia, mas os Sami da Noruega chamam à sua área Sapmi. Têm a sua própria bandeira (vermelha, azul, amarela e verde, com um circulo vermelho simbolizando o Sol e uma Lua azul). Têm uma vida semi-nómada entre a montanha no Verão e a tundra no Inverno. Na Noruega, são cerca de 100.000. A sua comida é considerada a mais saudável.
O campo de cães, numa grande algazarra, foi-nos apresentado. Sugeriram-nos ser um de nós a conduzir o trenó de monolugar. A maioria das pessoas preferiu ser conduzida em trenós de dois lugares. A Suzana aceitou logo a primeira opção e até queria ser ela a conduzir mas, depois da pequena aula, desistiu e foi conduzida por um italiano. A Joana e o Ricardo quiseram ser conduzidos por pessoa credenciada, eu e o Alf, desistimos: correr, desenfreadamente, num trenó que bate no chão gelado, com o frio e o vento pela frente?!? Isso, é de loucos. E no escuro-escuro!
Bom, jantámos com o Ricardo e a Joana, na tenda sami (lavvu),
uma tenda de madeira com um bom lume na lareira central.
Bebemos um copo de sopa de cozido, bem quente, e depois o respectivo cozido (sem os nossos enchidos...), servido em pratos de madeira.

A Suzana chegou para também jantar depois da Joana e do Ricardo sairem em expedição...
"Ainda bem que não foram! O italiano esforçou-se, coitado, mas fartei-me de bater com o cu na pista gelada, os cães engalfinharam-se e quase morri de frio!" Mas os primos gostaram: foram conduzidos pelo chefe dos guias e eram os primeiros da expedição.
A aurora é que não apareceu. As nuvens não deixaram ver uma estrelinha!
Ainda temos uma noite!...

Na manhã seguinte acordámos com uma grossa e branca camada de neve sobre tudo e ela a cair, magnífica. Bonito!
O sol abriu e saímos da preguiça do quentinho confortável do hotel.
Caminhámos até ao Perspektivet Museum
onde, em 3 salas, estava uma exposição de fotografias, muito boas: panorâmicas dos bairros pobres de Caracas e Bombaim, com as histórias da pobreza e do abandono dos personagens.
A Suzana veio ter connosco ao bar do Perspektivet e combinámos encontrar-nos no pub da fábrica de cerveja, porque nós íamos ao Museu de Arte Contemporânea.
É um belo edifício amarelo no meio de um manto de neve, mas... a única obra de arte era a do exterior,
porque o museu estava fechado.


A fábrica de cerveja Mack é a localizada mais a norte do Mundo e abriu em 1877.

O bar, Olhallen,
que abriu em 1928, é o mais antigo pub de Tromso. Até 1973, havia uma lei que proibia as mulheres de entrar. A ideia era almoçar, mas só havia cerveja.
Entretanto, a neve voltou, impiedosa.
Refugiámo-nos num restaurante muito bom, "Egon" http://www.egon.no/
que nos serviu divinamente: carne muito boa e muito bem temperada.

Voltámos ao hotel para descansar um pouco porque, às 16.45h vamos tentar ver, de novo, as "Northern Lights". De autocarro, passando pelos muitos túneis de Tromso (com rotundas e cruzamentos...), chegámos, depois de hora e meia, ao Camp Tamok, situado no Tamok Valley, no meio da área mais selvagem da Europa. Íamos bem agasalhados. Os que quiseram, vestiram grossos macacões por cima das suas roupas.
O céu, carregadinho de nuvens e a neve a cair em barda!... As esperanças de ver a aurora eram muito-muito ténues.
No escuro, com o guia à frente, de lâmpada na testa, seguimos em fila indiana por cerca de um quilómetro, sempre a nevar. O silêncio só era interrompido pelos nossos passos na neve. Os pinheiros e o chão, muito brancos, iluminavam o nosso espaço. De vez em quando, o guia parava para explicar o que são as Luzes. Desenhava o Sol, a Terra e os campos magnéticos, na neve virgem. É, também, estratégia para descansar um pouco e para fazer tempo.
Este seria o melhor local da Noruega para ver a aurora boreal e onde as luzes aparecem mais cedo na noite: entre as 20 e as 22 horas.
Finalmente, chegámos ao campo onde três grandes tendas sami nos esperavam.
Às 21 horas serviram-nos uma espessa sopa de bacalhau, batata e cenoura, temperada com muita pimenta. Muito boa. Uma espécie de pizza doce foi a sobremesa.
As Northern Lights é que não apareceram!...
Ficámos com a recordação de dois dias antes.