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quinta-feira, 5 de maio de 2011

TOSCANA 3 - Volterra, San Gimignano, Região de Chianti

20, 21 Setembro 2010


Saímos de Lucca depois do pequeno-almoço e, pouco antes do meio-dia, estávamos em Volterra, estacionando perto das muralhas.
A cidade está situada num planalto, sobre uma colina, como muitas cidades etruscas.
Fica a oeste de Siena e foi um dos maiores povoamentos etruscos, foco de uma região mineira onde predominava o alabastro.
Abastada, na Idade Média foi cercada pelos fiorentinos e perdeu a sua independência em 1472. Preservou a cidade medieval intacta.
O Duomo,
na Piazza San Giovanni, quase passava despercebido no meio das tendas e tendinhas que vendem tudo e mais alguma coisa com o rótulo de "artesanato toscano"!...
Caminhando, apercebemo-nos bem da arquitectura etrusca


de aspecto mais robusto do que a que vimos em Lucca.
O coração medieval de Volterra é a Piazza dei Priori, localização de um conjunto de edifícios medievais que inclui o Palazzo dei Priori,
a primeira Câmara Municipal a ser construída em Itália (1208-1254), o Palazzo Pretorio e o Palazzo Vescovile, do bispo.
O Palazzo dei Priori


data de 1208 e diz-se que serviu de modelo para o Palazzo Vechio de Florença, com placas redondas de terracota vidrada, no exterior.
Descendo, passámos o Arco Etrusco,
que é parcialmente romano e é um dos monumentos mais curiosos de Volterra, com colunas e cabeças de basalto que representam deuses etruscos do séc. VI a.C. já muito gastas pelo tempo, mal se distinguindo as feições.
A noroeste, no fundo de ruas íngremes e fora das muralhas, fomos encontrar os restos de um teatro romano, do séc. I a.C..


Ainda vimos o Palazzo Pitti e a chiesa San Michelle.

De novo de carro, chegámos a San Gimignano às 14.30 horas.
Mais uma cidade de colina, esta bem visível ao longe,
mas que nos deu um certo trabalho para arranjar um bom ângulo para a fotografia, porque as árvores pareciam ter sido plantadas de propósito à beira da estrada para esconder a colina!...
É a cidade das belas torres,
existindo, ainda, 14 das 76 iniciais. Estas torres, do séc. XIII, destinavam-se a servir de fortaleza e simbolizavam a riqueza dos seus proprietários.
Na Piazza della Cisterna,
cercada por um conjunto de palazzi intactos dos séculos XIII e XIV,
há um poço com nascente construído em 1237.
Muitas lojas e galerias,


com as suas portas e mostruários coloridos e variados
e muitas ourivesarias, ladeiam as ruas principais
(via San Matteo e via San Giovanni), conservando o seu ar medieval.
Almoçámos no "Caffè Combattenti", acompanhados por um branco seco local (vinho Vernaccia de San Gimignano).
Na Piazza del Duomo,
entre os edifícios históricos, figura o Palazzo Vechio del Podestá (1239)
cuja torre é, provavelmente, a mais antiga (Torre della Rognosa, de 51 metros).
A Torre Grossa,
junto do Palazzo del Popolo (Município) é de 1311 e é a mais alta da cidade, com 54 metros. Foi esta que subimos, eu e a Joana, para admirar o panorama lá do alto,
que é surpreendente, visitando, também, o Museo Civico que mostra, nas paredes, cenas de caça e uma "Virgem no Trono" de Lippo Memmi (1317). Vários frescos e pinturas sobre madeira dos séculos XIV e XVI.
No regresso pela via San Giovanni, ainda fotografei a "Madonna dei Lumi".
O Alessandro, do "Borgo de Castelletti", falou-nos numa outra cidade medieval, "muito romântica", que não vem nos roteiros turísticos:
Certaldo.
A cidade antiga também está numa colina e, para lá chegar, fomos num funicular (1,30 €, ida e volta), depois de deixar o carro num estacionamento pago (aliás como todos os outros mas, este, a metade do preço... vantagem do local ser menos turístico...).
Menos visitado, mas nem por isso menos belo que os locais por onde já andámos.
É uma belíssima pequena cidade,

muito calma, onde as crianças brincam nas ruas e os menos jovens conversam, placidamente sentados na praça.

Percorremos a via Bocaccio até ao Palazzo Pretorio,
ladeado à direita pela igreja San Tomaso e Prospero, estilo neo-gótico.
Passámos pela igreja e convento St. Jacopo e Filippo,
com um painel em terracota da escola della Robbia, um crucifixo muito bonito e uma N.S. de Fátima à esquerda.
A casa com torre de Bocaccio
foi construída depois de ter sido bombardeada pelos ingleses na 2ª Guerra Mundial. Junto, o Palazzo Machiavelli, com uma torre de 20 metros decorada com arcos e janelas.

A noite aproximava-se. Com alguma dificuldade, encontrámos o nosso hotel "Castel Bigozzi", em Monteriggioni, mais propriamente Strove,
uma casa senhorial aparentemente muito bonita (já era noite cerrada...).
O Relais Castel Bigozzi,
é uma residência aristocrática que data de 1200. O castelo foi uma das fortalezas mais importantes no Chianti e um lugar de refúgio das tropas durante a "Revolta Guibelina" (1268).
O seu brasão conta a história: o escudo vermelho como a terra que o rodeia, o leão preto símbolo de coragem, luta e glória. Pertenceu aos antepassados da antiga e nobre família Montanini.
Fomos jantar ao burgo, que parece muito interessante, num restaurante na praça principal, o "Il Picolo Castello", comida italiana acompanhada por um tinto da região, muito bom ("Brolio").

O "Castel Bigozzi"


é um 4* no campo, com recantos encantadores, que descobrimos de manhã, com a luz do dia.
Resolvemos dedicar toda a manhã à região de Chianti,
uma das áreas mais conhecidas e populares da Toscana, célebre pelas suas colinas arborizadas, as aldeias encantadoras e, especialmente, pelas suas vinhas
e pelos seus famosos vinhos.
Apanhámos a estrada SR222, que atravessa o centro do distrito.
A vinha já era cultivada pelos etruscos e o vinho é chamado "Chianti"
desde 1404, quando um barril foi enviado para Prato. No século XIII, foi criada a "Liga Chianti" de cidades, mas só em 1716 um decreto-lei do grão-ducado fez da região de Chianti a primeira região vinícola definida oficialmente. Em 1960 foi criado o símbolo "Gallo Nero"
para os vinhos produzidos nas montanhas Classico.
Seguimos o percurso e parámos em algumas das pequenas cidades.

Castellina in Chianti
é a mais medieval.
Entrámos e fomos seguindo pela via della Mura, fotografando as casas, a Torre (do castelo),
a Igreja,
a Praça da Municipalidade.


Várias esculturas em bronze,
uma delas numa fonte, embelezam alguns recantos.

Em Radda in Chianti entrámos pela via Roma
e fomos direitos à Praça Municipal, encontrando belos edifícios dos séculos XV e XVI. Durante a Idade Média, era capital da Liga di Chianti, a liga militar de cidades locais. O Palazzo Comunale
é decorado com escudos das famílias locais e está virado para a igreja dedicada a S. Nicolo.
Na Piazza dell Castello,
pequenina, pode ver-se, ainda, a Torre.

Baddia a Coltibuono,
uma abadia do século XI, com uma igreja românica
de 1770, de San Lorenzo, é um dos mais belos edifícios dessa época na Toscana. Tem um altar com um belo crucifixo.
Chegámos lá por uma belíssima estrada,
serpenteante e verde.

Gaiole,
foi a cidade que visitámos a seguir.
Como as outras, tem uma rua principal, via B Ricasoli,
e foi por ela que entrámos, fotografando os edifícios até à piazza. De todas, é a mais simples e pequena.
A tarde começou e a fome apertava.
Continuando na estrada para Siena, almoçámos no "Il Ponte", em Pianella, boa carne toscana, bom chianti e bom gelado.

Siena esperáva-nos!

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