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domingo, 13 de junho de 2010

MELBOURNE

  20,21 e 22 de Fevereiro 2010


Estamos no hotel "Medina Grand", na Queen Street, um aparthotel razoável.
Chegámos ontem, por volta das 22 horas e, num voo de pouco mais de uma hora, a Qantas serviu-nos jantar... não sei como não vão à falência!...

Melbourne foi fundada em 1830 por colonos que regressavam da Tasmânia e descobriram um rio, o Yarra, cujas margens acolheram um acampamento que terá estado na origem da cidade.

E são, agora, 3.500.000 a viver aqui.
De manhã, apanhámos o City Circle Tram,

demos uma voltinha até às docas e voltámos para nos apearmos junto da Eureka Skydeck, um ninho de abelhas

na fachada lateral e que dizem os locais ser "a mais alta plataforma do Hemisfério Sul", com 300 metros de altura e 88 andares. De lá, tem-se uma noção de 360 graus da cidade de Melbourne.
Identificam-se os edifícios da CBD, a torre estilizada de ferro branco

(Victorian Arts Centre, que é sede do ballet australiano e da Companhia de Teatro de Melbourne, e cuja agulha mede 115 metros), a Flinders Street Station


(o principal terminal ferroviário, de costas voltadas para o Yarra River), a St. Paul's Cathedral.

Ao longe, a Shrine of Remembrance

(Memorial de Victoria ao serviço e sacrifício de seus homens e mulheres em tempo de guerra), a Como House,

uma elegante mansão construída em 1840.
De novo de eléctrico,

fomos até South Gate, fotografando a Flinders Street Station

e a St. Paul's Cathedral

do outro lado do Yarra River, atravessando a Princess Bridge.

E brincámos na "Experimenta Utopia Now", vendo envelhecer o Ricardo e o Alfredo,

tocando nas plantas que emitiam sons e música, saltando nas sombras e interagindo com outras sombras. Até o Alfredo entrou numa história de desenho animado, atrás de um coelhinho.

Almoçámos no "Young and Jackson",

antigo hotel do século XIX, na Federation Square, com a Flinders Street Station a aparecer à janela.
As "arcades" são lugares agradáveis,

ruelas cobertas, cheias de vida e de lojas (the Block and Royal Arcades),

Centrepoint, Howey Place, The Causeway (onde decorria um concurso de fotografia, vendo-se máquinas fotográficas por todo o lado).
Edifícios vitorianos,

como o Majorica Building, a Royale Arcade,

 a Torre da Melbourne GPO,

na esquina da Elisabeth e da Bourke Street Mall, a loja mais fina da cidade.
A caminho do edifício do Parlamento (Parliament Buildings, considerado "The finest" fora de Londres, construído em pedra Grampions), parámos numa galeria de arte aborígene,


na Bourke Street, em que a galerista nos deu uma aula sobre essa Arte. Os desenhos começaram por ser feitos nas rochas e, depois, na areia, o que os tornava demasiado perecíveis e de mais difícil divulgação. Os que estavam na galeria e os que vimos na Art Gallery de Adelaide, já são em tinta acrílica sobre tela ou casca de árvore. Todo o quadro conta uma história.
No Parlamento,

apanhámos o eléctrico para a Federation Square, de novo. É uma zona cheia de animação e que se presta a muitas fotografias.
Tomámos uma bebida na esplanada da NGV (National Gallery of Victoria),

junto do Ian Potter Centre e entrámos no "Sustainable Living Festival", com a acção global para a mudança climática do Globo, com coisas para interagir e outras para chocar.
Um corpo humano

de que só se percebiam as pernas (porque mexiam), um braço e uma mão a manejar um telemóvel, completamente embrulhado em fios eléctricos e tomadas. Uma mulher num "apartamento" de vidro, com a cama, a mesa de refeições e a televisão!... E nós de "voyeurs". E a música, muita música e muita gente por todo o lado, sentados no chão, apanhando banhos de sol (escaldante), descalços, vestidos como quem vai para um casamento...e, mesmo, algumas damas de honor e parceiros, de casamento a sério,

que vimos junto do Hotel Windsor.

Jantámos no "Max", na Hardware Lane, um beco com restaurantes de um e outro lado, com mesas na rua onde mal se passa e música ao vivo.


Por volta das 5 horas da manhã, soou o alarme. "Que é isto?". Saltámos da cama. O Alfredo foi ao corredor e o barulho da sirene ouviu-se mais alto, aflitivo. "Veste qualquer coisa, Daisy. Temos que abandonar o hotel!...".

O vizinho do quarto ao lado, estremunhado, espreitou. Ordeiramente, sem uma palavra, as pessoas já desciam as escadas, em pijama, de chinelos, as crianças ao colo, também caladinhas, de olhos espantados. Nove andares! Em baixo, quatro carros de bombeiros e polícia a isolar o quarteirão. Uma mulher jovem arrastava uma mala de viagem. Um grupo de três idosas vestiam roupões de seda.
Não chegámos a ter a certeza do que foi. Falava-se num incêndio num carro, na garagem do hotel. Foi cerca de hora e meia na rua, de chinelos de quarto e pijama.
Antes de sairmos, batemos com força na porta do quarto da Joana e do Ricardo e o Alfredo gritou por eles. Nada. Descemos preocupados. Cerca de vinte minutos depois, encontrámo-los: tinham descido por outras escadas. Tentaram contactar-nos pelo telefone e não conseguiram. Enfim, estávamos juntos.
No fim, falou primeiro o chefe dos bombeiros e, depois, o da polícia: agradeceram o civismo, pediram desculpa e organizaram a reentrada no hotel. Subimos pelas escadas, porque os elevadores estavam cheios de clientes. Custou um pouco. A descer, nem demos conta!...


De manhã, cheios de coragem, continuámos a descoberta da cidade, a pé, pela Swanston Street,

que representa o arquétipo de ruas largas, uniformes e rectilíneas, de alamedas e arcadas, com exemplos de arquitectura victoriana e do século XX.

Fomos fotografando o Building 8, RMIT (Royal Melbourne Institut of Tecnology),

uma mistura contemporânea de cores primárias em linhas verticais e horizontais.
O Old City Bath (Banhos Públicos),

num edifício eduardino com cúpulas gémeas muito características e que visitámos por dentro, transformado em spa, com uma grande piscina de 33 metros e um varandim com fotografias antigas.
A State Library

tem colunas coríntias neoclássicas na fachada.
Tomámos um cafezinho no Starbucks e saímos da Swanston para a Chinatown,

onde ainda vivem chineses descendentes dos que, a partir de 1850, vieram, recebidos com hostilidade pelos residentes europeus, em busca de ouro. Foram eles que vieram substituir a mão-de-obra barata que tinha diminuído com a redução do número de condenados enviados.
De eléctrico, fomos até St. Kilda, ver a praia, o pier,

a feirinha, o Luna Park e o Palais Theatre.

St. Kilda fica a cerca de 5 quilómetros a sul de Melbourne. É uma zona simpática, com boas vistas de mar, restaurantes e cafés. O Luna Park
é o símbolo de St. Kilda, com a famosa cara a rir. A feirinha de artesanato faz-se todos os domingos, como hoje.
Regressámos para almoçar, de novo, no "Young and Jackson",

o simpático restaurante que tem, no primeiro andar, um confortável bar

com o famoso quadro "Nu de Cloé".

A Federation Square

é o centro de tudo. Voltámos a fotografar a St. Paul's Cathedral e fui vê-la por dentro, belíssima. Foi construída em 1866, como catedral anglicana da cidade, para substituir a de St. James. O retábulo de mármore e alabastro

e com mosaicos de vidro embutidos, veio de Itália.
Entrámos na NGV, no edifício Ian Potter Centre para visitar a Arte Aborígene (quadros,

totens e algumas esculturas em madeira),

os mais famosos pintores australianos como Eugene von Gérard, Tom Roberts ("Shearing The Rams"), Grace Crossing Smith ("The bridge in curve" - a construção da ponte de Sydney).

John Brack foi um dos meus preferidos.

Mandaram-nos embora porque eram cinco horas.
O festival, cá fora, também estava a ser desmontado.

A festa estava a desfazer-se.

Jantámos com um casal amigo da Joana, perto do NGV.


No dia seguinte, depois do pequeno-almoço, malas guardadas, check-out feito e pedido de reserva de taxi (na recepção) para as 14.30 horas. E ala para a despedida da cidade.
Apanhámos o City Circle (gratuito) e, passando pela Swanston, Exibition, Springs, Nicholson e Flinders Streets, chegámos à Federation Square, claro!
Atravessámos a Princess Bridge, com a Rainbow Bridge ao fundo

e aproveitámos para fazer as últimas fotos!
Fotografámos a Victorian Arts Centre

e entrámos no segundo edifício da NGV, a galeria internacional, que abriu a 24 de Maio de 1861 como museu de Arte,

antes localizado na Swanston Street, agora State Library. Visitámos várias galerias, entre elas a Arte do Pacífico, Fotografia, Pintura Europeia, a "Love, Loss and Intimity"

que explora as emoções humanas do desejo e afectos, com desenhos de Rembrandt, Goya, Picasso, Edvard Munch.
Mas a estrela das temporárias (15 dólares por pessoa - as outras eram livres) foi Ron Mueck,

escultor nascido em Melbourne, que vive em Londres, genro da "nossa" Paula Rego, com obras de um realismo impressionante, por vezes chocante. As expressões, os pormenores das situações, chegam a incomodar, sentindo-nos "voyeurs"!



Tivemos que acelerar um pouco, comemos uma refeição a caminho do hotel e o motorista já estava à nossa espera.


No aeroporto, o avião para a Nova Zelândia, Ilha do Sul, estava atrasado. Mas Christchurch esperará por nós!
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